Review: Volver

Imagem: El Deseo S.A.

Imagem: El Deseo S.A.

“A Penélope Cruz nunca me cativara nos filmes que vira com ela (ouvem-se exclamações de choque), mas é a verdade. Talvez tivesse sido dos filmes que me calhou ver, em que a única coisa que se evidenciava nela era a sua delicadeza e o sotaque espanhol. Porém,  num sábado à noite a RTP passou o filme Volver, e eu por lá fiquei no sofá, “Vou começar a ver, e depois logo se vê…”, pensei. E a verdade é que, embora as pálpebras me pesassem, não saí de lá até chegar ao final da história. E o que é a história? Uma representação forte e inspiradora de um grupo de mulheres, todas do mesmo sangue, que se protegem umas às outras, mas que isso implique ignorar os limites. Segredos e mistérios pairam no ar como um feitiço. E pela primeira vez, vi a Penélope Cruz com outros olhos. Ela encanta e atrai qualquer um, mesmo quando sabemos que o que ela fez é absolutamente errado, mas a sua farsa nunca cai, o seu rosto nunca se apaga, porque é essa força que une aquela família. Tinha mais expectativas quanto ao final, esperava um desenlace mais elucidativo perante os acontecimentos trágicos do filme… porém, o filme acaba de forma leve, como se houvesse uma continuação algures à qual não temos acesso. Eu queria respostas que não tive. Mas talvez o objectivo de Almodovar não fosse dar respostas, apenas dar a conhecer estas histórias, estas mulheres, servindo de conselho e apelando à coragem interior.” – Helena Rodrigues