Review: Sr. Ninguém

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Este filme nunca poderá agradar a todos. É difícil de acompanhar e de perceber o seu sentido final, se é que existe um sentido. O filme levanta mais questões do que fornece respostas, mas talvez o propósito seja não haver uma só resposta mais várias, assim como as várias vidas de Nemo Nobody.

Nemo, um rapazinho que nasceu com o dom de ver o futuro, ou seja, todas as possibilidades e consequências das suas escolhas. O argumento relata ao mesmo tempo as várias vidas de Nemo Nobody, caso ele fizesse diferentes escolhas. Por vezes, quando ele abre os olhos e chama pelo nome de alguém que ali não está… parece que ele próprio anda perdido no tempo e nas vidas que possui. O curioso é que, com tantas vidas e experiências diferentes, há sempre uma pessoa constante, a mulher da sua “vida”, com quem ele se encontra sempre, não importa as escolhas que faça.
E a palavra aqui é “escolha”. Nemo tem a possibilidade de prever tudo o que lhe vai acontecer se seguir o caminho da esquerda, ou da direita, ambos com espinhos e rosas pelo meio. Se nos pusermos no lugar dele, será que queremos saber o futuro das nossas decisões? De que forma isso nos ia influenciar? Uma das frases do filme é “se não escolhermos nada, tudo é possível”, isto porque dessa forma, só podemos esperar… o inesperado.

Nunca tinha visto o Jared Leto numa interpretação tão arriscada e complicada como esta. Embora não tenha considerado o seu papel nada de espectacular, admiro-o por tê-lo escolhido. De louvar, sim, as interpretações do pequeno Nemo, do jovem Nemo e da sua amada Hannah, pois são eles que nos agarram a esta história com unhas e dentes. Completamente convincentes nos seus papéis, transmitindo um leque de emoções enorme que nos faz “cair de amores” por eles também.

Não consigo dizer mais nada, porque do filme retira-se pouco ou tudo. Deve ser entendido de todas as maneiras possíveis, ou só de uma, depende da pessoa do lado de cá do televisor. Seja como for, é um filme diferente, inteligente, que nos dá descanso dos típicos filmes “cookie cutters”, que pouco ou nada de novo e estimulante nos oferecem”

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Crítica por: André Gomes

“Desde já começo por dizer que este filme é um pouco confuso,tem um ponto interessante, o poder de mudar o rumo da história consoante o que acharíamos melhor. Nemo é a personagem principal. No ano de 2092, 118 anos de idade Nemo está a contar sua história de vida a um repórter apesar das falhas de memória que este tem; ele de certa forma “parou” no tempo. Ele pensava que estava no ano de 2009, para ele teria 34 anos. Até que se vê ao espelho e depara-se com o seu rosto envelhecido. Ele começa a contar a sua história ao repórter e fala da sua vida em três pontos principais: aos nove anos (quando os pais se divorciaram), quinze anos de idade e aos trinta e quatro anos. O aspecto confuso da história é que ele fala de caminhos alternativos de vida – muitas vezes, mudar de rumo com o toque de uma decisão em cada uma dessas idades. Um dos caminhos de vida: é casado com Elise, uma mulher deprimida que nunca conseguiu superar o amor não correspondido que ela tinha por um rapaz mais velho chamado Stefano quando ela era uma adolescente, e que pediu a Nemo jurar que, quando ela morresse, ele deitaria as suas cinzas em Marte. Um segundo caminho de vida: é casado com Jean, onde leva uma vida de luxo, mas também de um tédio total. E um terceiro caminho a vida: tem um tórrido romance com Anna – de todas as hipóteses era com Anna com quem Nemo ficaria melhor. Um ponto em comum é que Anna, Jean e Elise eram todas amigas de infância de Nemo.” – André Gomes