Review: A Gaiola Dourada

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Crítica por:  João Loff

“Há muito que algumas indústrias de cinema perceberam que tocar em cordas sensíveis de certas e determinadas culturas é um filão muitas vezes inexplorado e quase sempre prometedor. Um deles já foi retratado em sobejas reportagens e documentários, mas nunca num formato de comédia cinematográfica. Foi essa a ideia de Ruben Alves, filho de emigrantes portugueses – retratar, de forma light mas honesta e não desprovida de sentimentos a diáspora portuguesa em França, fenómenos trans-geracional que, como o próprio cineasta, criou já filhos e também netos.

O resultado é notável: com efeito, facilmente poder-se-ia ter caído num estereótipo talvez engraçado mas demasiado fácil. Não é aqui o caso. O argumento e a realização conseguem a singular proeza de caminhar uma fina linha sem nunca cair no banal, extraindo uma fantástica prestação de Rita Blanco, e um surpreendente registo de “everyman” a Joaquim de Almeida. Os secundários são também extremamente eficazes, tantos os portugueses como os franceses, retratando a realidade bem particular de uma comunidade vasta que ao longo dos anos deixou marcas muito próprias na sociedade francófona. Com resultados à vista – ombreou com os maiores blockbusters de Hollywood em França, sendo, claro está, um sucesso retumbante também em Portugal. Fantástico desempenho para uma comédia familiar, sem grandes meios mas enorme coração. O que lança de novo uma velha questão – citando Jorge Mourinha, o filme dá “dez a zero” a qualquer produto que se tenha feito neste país para os grandes públicos.

Que corda sensível faltará aos cineastas portugueses e às histórias de Portugal para conseguir fabricar de forma eficaz um filme tão divertido, honesto, desarmante e eficaz como este?”

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Crítica por: Mónica Rodrigues

“O trailer prometia um filme cheio de humor e devo dizer que não desiludiu em nada.

Muitas são as críticas, os estereótipos e as piadas “portuguese related” que decorrem ao longo do filme e é isso que o torna tão especial. Não podemos deixar de relacionar as personagens com o nosso povo tão característico, com os nossos emigrantes, com alguém mesmo da nossa própria família ou um vizinho.

A história conta-nos a vida de um casal português que emigrou para França e lá constituiu família, mostra-nos as suas lutas e o seu quotidiano num país que não é o seu, e de repente têm a oportunidade de voltar a Portugal. É aqui que surgem uma série de peripécias em torno da decisão de manterem a vida dos últimos 30 anos ou regressarem ao país natal e às raízes.

Faz pensar em todos os “nossos” que estão lá fora e faz-nos amar o nosso país…com tudo o que ele tem. Não posso deixar de dizer que o Joaquim de Almeida e a Rita Blanco fazem um papel espectacular.
Mais que aconselhar a verem, quase digo que é mesmo obrigatório! Um filme para portugueses, com certeza!” – Mónica Rodrigues