Review: Lars e o Verdadeiro Amor

sem nomeCrítica por: Helena Rodrigues

“Lars é um homem a quem sempre faltou afecto familiar. A mãe morreu quande ele nasceu, o pai isolou-se e o irmão mais velho saiu de casa assim que pôde, deixando Lars sentindo na pele a sensação de abandono e solidão, desde então nunca mais conseguiu relacionar-se com ninguém. O que podia ser apenas uma questão de timidez e insegurança, acaba por se tornar uma doença, em que o pobre Lars chega a sentir dor e ansiedade só de alguém lhe tocar.

Calma, isto não é nenhum drama, o filme é realmente divertido e inspirador! Lars está preso num mundo escuro e assustador e a verdade é que ele quer sair dele e dar-se com as pessoas à sua volta, mas só o consegue fazer arranjando uma espécie de boneca-manequim encomendada da Internet, com quem inicia uma “relação”. E é a partir daqui, que surgem momentos cómicos, momentos inspiradores, momentos assustadores e momentos de choque… enfim, quem diria! Quem diria que Ryan Gosling tinha tantas facetas?! Esta é sem dúvida uma interpretação única do actor que nos convence por completo de que  tem um grave problema emocional.

O filme tem o ritmo certo. É parado quando deve ser, mas rapidamente são-nos apresentados cenários mais ligeiros que nos fazem sorrir ou então ficar preocupados. Eu até cheguei a encarar a pobre boneca como parte do elenco!  É essa a força que a história tem. É leve, mas com um tema obscuro, divertida, mas com momentos que nos deixam pouco à vontade. É uma história de alguém que quer ser amado, mas não sabe como expressá-lo. Uma história de pessoas que fazem jus às palavras “união” e “amizade”. Uma história calminha e bonita com um toque de esperança.”