Review: O Homem de Aço

man-of-steel-henry-cavill-kal_el-3Crítica por: Helena Rodrigues

“Quando todos à nossa volta dizem que um filme é muito bom e que está espectacular e que está muito bem conseguido e que está excelente, é difícil ignorar os comentários e criar expectativas. Em primeiro lugar, as coisas boas!

Uma das vantagens das novas tecnologias e das mentalidades inovadoras que tem surgido neste meio, é fazer com que “remakes” ou “reboots” como preferirem, realmente justifiquem a sua aparição, como é o caso. Adeus fato de licra azul e vermelho berrante pouco ou nada atraente!

Depois, temos o planeta Krypton. Foi a primeira vez que senti que estava a conhecer a terra de Kal-El verdadeiramente. Foi a primeira vez que realmente senti a dor e emergência de um povo quase a sucumbir e a esperança que depositam naquela criança de nascimento natural. A escolha de Russell Crowe para o papel de pai do Super-Homem foi uma ótima escolha (até um certo ponto, que lá chegarei). Os pais verdadeiros de Kal-El sacrificam-se por ele, é assim que nasce o primeiro laço de amor familiar.
O segundo laço é já criado no planeta Terra, pelos pais adoptivos Jonathan e Martha Kent. De salientar que Kevin Costner foi também uma excelente escolha. Um homem sábio, calmo, que transmite bons valores enquanto protege o seu filho Clark e o segredo que ele esconde, e mais uma vez, presenciamos o sacrifício.
Clark torna-se um homem marcado. Carregando consigo o fardo do seu segredo, da incompreensão de muitos e do sacrifício daqueles que o amavam. E a partir daqui, o enredo começou a desinteressar-me por completo.

Henry Cavill é, sem dúvida alguma, a figura de Super-Homem, nisso não há dúvidas, mas não consegui sentir nada de interessante por parte da sua personagem. Durante, o que me pareceu horas, vemo-lo a vaguear, sem rumo, sem ímpeto… e de repente encontra Lois Lane e revela-lhe, ali, naquele momento, o que supostamente devia esconder… e bem, podia acrescentar outros pontos que não esperava que acontecessem, mas seriam spoilers. A verdade é que, a interpretação do Homem-Aço passou-me completamente ao lado. Alguma coisa não passou para o lado de cá do ecrã – para o meu lado – e não estou a falar da história, nem dos efeitos especiais, refiro-me apenas e unicamente à personagem principal… que não me transmitiu absolutamente nada. Achei-o um pouco “aborrecido”. Clark Kent em jovem, confuso e angustiado, com Jonathan Kent do seu lado a dar-lhe valores morais conseguiu despertar-me muito mais a atenção.

Valeu as lutas, bem conseguidas, com ação… e os efeitos especiais em pormenor. Sim, dentro do mundo fantasiado e irrealista, pareceram-me credíveis. Sempre que aparecia um vilão eu remexia-me e pensava: “bem, ao menos isto não vai ser tão parado…”.
E foi só.

Quanto ao Russell Crowe, bem, ele continua presente durante todo o filme o que me fez pensar várias vezes “outra vez?” E não posso divagar mais quanto a esta questão…

Não sou uma “connoisseur” das Comics, talvez se fosse, teria – ou não – achado este filme uma obra prima. Mas não sou. E infelizmente o Super-Homem nunca foi dos meus super-heróis preferidos, mas resolvi dar-lhe uma hipótese e não fiquei convencida.
Nada a apontar sobre a realização e as imagens inspiradoras, sem contar com a música que nos arrebata, obrigada Zack Snyder e Chris Nolan! Tem sido, sem dúvida, uma revolução no cinema nos últimos tempos – no que toca a fantasia e ficção- e tem sido uma viagem alucinante e emocionante acompanhar todos estes super-heróis de “cara lavada”, e muito mais interessante e emocionante vê-los a interagirem entre si, como se saltassem para os livros uns dos outros para agitar um pouco as coisas. Deste lado, eu agradeço!

E mais não posso dizer. Venham daí os “Buuus!”, eu aguento!”

 

Crítica por:  João Loff

“O ano de 2013 marca uma efeméride que poderá passar despercebida a alguns: os 20 anos de Jurassic Park. Não pelo filme em si, um sucesso retubante que foi até reeditado em IMAX 3D, mas pela introdução em definitivo das imagens geradas em computador no cinema, desbloqueando toda uma nova era em que, finalmente, tudo passou a ser possível. Curiosamente, 20 anos depois, o cinema americano e comercial parecem confrontar-se com dúvidas sérias sobre o que fazer a seguir. Assim, é natural que todos os anos, pelo verão, sejamos brindados com reboots, remakes, sequelas e adaptações em que se investem mundos e fundos em resultados que podem ser tudo menos satisfatórios. O êxito recente dos filmes Marvel e da trilogia Dark Knight de Christopher Nolan veio de novo bater à porta de um suposto gigante adormecido: Superman – um herói aparentemente descabido da nossa actualidade cinematográfica e do look “pós-11 de setembro”, fascinado com sombras, fantasmas, altos contrastes e conflitos interiores em barda. Superman é, na sua forma original, a antítese do herói do século XXI – invulnerável, luminoso, patriota, símbolo do sonho americano glorificado e do anti-comunismo encapotado, reflexo da época em que a sua figura nasceu e cresceu pela mão da DC Comics. Como retratá-lo agora? A resposta parece óbvia – sombras, nevoeiro, trevas, fantasmas, contrastes. E por momentos, parece resultar. O filme começa em Krypton, entre cenários góticos e avassaladores. Russel Crowe providencia gravitas a Jor-El, pai do nosso herói. Os tons são sérios, pesados, Michael Shannon justifica a sua escolha como vilão. Alguns efeitos e momentos são até impressionantes. Passo a passo, vamos seguindo a saga, a história da origem entrecortada com o presente, as texturas pesadas, o grão e a escuridão a tomarem conta do ecrã. Durante algum tempo, senti que estava perante algo verdadeiramente original – uma espécie de Batman com poderes, inadaptado do mundo onde vive, optando por uma lógica de não-agressão. Mas a partir de metade do filme, há uma factura a pagar: este é um filme de verão. O público quer festa. Não tenho dúvidas que Christopher Nolan, que aqui age como produtor, desejaria que os temas mais sumarentos permanecessem. Mas o espectáculo tem de continuar. E o que se segue leva um filme que até tinha sal para um festival de monotonia ruidosa em que a destruição transforma qualquer nuance até aí evidente num pastel homogéneo e pouco emocionante, pelo simples facto de que tudo o que estamos a presenciar é tão exagerado e sintético que só podemos encolher os ombros. Pena, porque a base e a arte para um filme único estava lá. Mas a Zack Snyder parece ainda faltar um “danoninho” para almejar a fazer algo mais do que exercícios de estilo, como “300” e “Sucker Punch” – fantásticos videoclips mas fracos filmes. Esperemos agora o que será do inusitado embate entre Batman e Superman, e façamos figas para que algum do sumo de Gotham City possa inundar uma desenxabida Metropolis.”