Review: Raptadas

PenguinsCrítica por: Helena Rodrigues

“Em primeiro lugar é importante referir que este filme foi financiado em parte pelo actor Hugh Jackman, pois embora fosse um argumento bastante cativante para os actores que quiseram trabalhar nele, infelizmente o filme não estava a receber os apoios necessários. Porquê? Porque o que é mais facilmente financiado são filmes de super-heróis e reboots de super-heróis e tudo o que tenha robots gigantes a lutar no pacífico, e é por causa deste mercado de entretenimento fácil e que rende milhões que muitas pérolas se perdem por detrás do pano do fundo não obtendo o reconhecimento que merecem. Posto isto, passemos à análise do filme em si:

O filme começa por despertar curiosidade logo pela união de dois actores tão diferentes e que não esperávamos ver  a contracenar: Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Sabe bem ver Jackman num papel completamente distinto e longínquo de Wolverine. Aqui, ele é um pai cuja filha é raptada na rua onde moram. Não é nenhuma personagem de uma banda desenhada, é alguém que representa tantas histórias reais e assustadoras do nosso mundo. Vemos a constante “descontrução” da sua personagem ao longo do filme, o medo e o desespero de um pai. Desespero esse que o leva a agir, de forma até grotesca, mas do lado de cá, do lado do espectador instala-se a eterna questão: “o que seríamos capazes de fazer para reaver os nossos filhos?”. É com isso em mente que a linha entre o certo e o errado fica um pouco esbatida.

Jake Gyllenhaal é o detective em busca das crianças desaparecidas, uma interpretação sublime que nos faz esquecer todos os seus outros papéis, achei que o tique dos olhos foi um pormenor interessante e que deu mais realismo à personagem.

Quanto ao enredo, só posso dizer que, embora o filme seja grande, não é de todo cansativo. Porque é uma viagem através de um turbilhão de emoções, dúvidas e suspeitas. Dentro do rapto das crianças, outras histórias começam a emergir, talvez com uma ligação entre si ou não, mas é isso que nos prende, porque isto trata-se de um thriller, não apenas um drama. Estamos sempre à espera de tudo e do inesperado, e por isso é que a história está tão bem contada.

Confesso que o final me fez ranger os dentes de inquietação, há muito que um filme não me causava isso, o que é bom.”

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