Review: Trilogia Batman, de Chris Nolan

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Crítica por: Helena Rodrigues

“O Batman sempre foi um dos meus super-heróis preferidos. Os primeiros filmes que ainda tenho gravados na memória pertencem a Tim Burton, com a belíssima interpretação de Michael Keaton. A história de um herói mascarado que não surgiu por ganhar poderes devido a um acidente qualquer… surge porque desde pequeno que guarda dentro de si o sentido de fazer justiça, vingar as vítimas dos crimes de Gotham City. Bem, há o pormenor de ser bilionário… isso sempre é uma ajuda para arranjar um equipamento à maneira.

Depois do Batman de Michael Keaton, surgiram outros que prefiro ignorar. Mas claramente a imagem do Homem-Morcego ficara marcada pelo estilo gótico/cómico/negro de Burton, uma caricatura bem conseguida das personagens do universo DC Comics.
Anos mais tarde, o realizador Christopher Nolan resolve fazer um remake do herói, e embora eu não seja fã de remakes, esta foi talvez a ideia mais brilhante e mais bem conseguida. Chamar Christian Bale para o papel só tornou oficial. E assim saímos das páginas de banda desenhada e entramos num mundo mais profundo, mais negro, mais silêncioso tal e qual uma gruta… Aqui conhecemos Bruce Wayne por aquilo que realmente é, humanizado a 100 %, e a justificação para a criação da sua máscara torna-se muito mais plausível, credível e justificável… tudo o que não encontrávamos nos filmes originais.

Entre o 1º e o 3º filme de Nolan acompanhamos o nascimento, o declínio e o renascer de Batman. Tudo num ritmo certo e adequado, Ao contário de muitos, não consigo mostrar desagrado por qualquer um dos filmes. O único senão, que ainda me faz “comichão” é o facto da actriz de “Rachel” ser interpretada por Katie Holmes e no 2º filme ficar a cargo de Maggie Gyllenhaal. Eu sou o tipo de pessoa que prefere ter sempre os mesmo actores a interpretar as mesmas personagens, caso contrário, corta um pouco o “realismo”. Não posso dizer que tenha desgostado da Katie, se bem que, a Maggie mostrou mais de garra, o papel deveria ter-lhe sido entregue desde o início.

É impossível não esquecer a interpretação de Heath Ledger, que lhe valeu um Óscar póstumo, e que sem dúvida fez jus ao louco outrora interpretado, também de forma soberba por Jack Nicholson. E óbvio, como ignorar aquele que esteve sempre presente na vida de Bruce Wayne, aquele que sempre amou o homem e não propriamente a máscara, aquele que valorizava a moral de Bruce, mas não a forma como ele optava por agir. Alfred. Uma personagem indispensável e que certamente tocou no coração de muitos fãs no último filme da saga com as suas importantes palavras.

E reparem que não falo das imagens e dos efeitos especiais, que sem dúvida têm o seu peso. Falo das personagens. Foi o factor mais importante que Nolan trouxe a esta trilogia. Fez-nos esquecer os bonecos das bandas desenhadas, deu-lhes vida, um coração, uma consciência e emoção sem igual, e foi isso que nos cativou.

Esta trilogia está na minha lista de favoritos. E embora a saga de Bale tenha terminado no momento certo, não haverá nada que a supere. Vou deixar este “meu” Batman como está e não vou substituí-lo por nada. E sim, Affleck é o sucessor e já está a caminho… Estou curiosa, confesso, e confiante que fará um bom desempenho. Não gosto de criticar, porque quem sabe, até nos pode surpreender a todos, mas ficará arrumado noutro cantinho.

Porque, afinal de contas, Batman é um símbolo e não um indivíduo apenas, tal como Christian Bale realçou numa entrevista em relação à dinâmica realizada pela Fundação Make a Wish em São Francisco, quando realizou os desejos de uma criança de ser Batkid por um dia. O pequenote não queria saber se era um Keaton, ou um Bale ou um Affleck ao seu lado… era o Batman! E esse símbolo de força pode ser encarnado em qualquer um… é só alguém ligar o holofote lá em cima…e qualquer um de nós pode aparecer…”