Review: Comboio Nocturno Para Lisboa

MV5BNDE5OTkxNzMxNl5BMl5BanBnXkFtZTgwMjQ4NjY3MDE@__V1_SX640_SY720_Crítica por: Helena Rodrigues

” Jeremy Irons é ‘Raimund Gregorius’, um professor suíço que dá aulas em Berna. Logo de início a sua vida é apresentada como banal, com muito pouco interesse. Raimund vive sozinho, e os seus ‘filhos’ são os seus alunos. Mas um dia tudo muda, quando salva uma rapariga que aparentava intenções de saltar de uma ponte. A rapariga é misteriosa e triste e acaba por desaparecer, deixando nas mãos de Raimund o seu casaco vermelho e um livro. Raimund, tal como qualquer outra pessoa com apreço pelas palavras começa a ler a obra e rapidamente fica fascinado e atraído pelo autor do mesmo, Amadeu de Prado. Nesse mesmo livro encontra bilhetes de comboio para Lisboa.

Esta é a premissa do filme, e assim começa aquela que talvez seja a primeira “aventura” de Raimund. Aventura essa que é simplesmente a de um homem em busca de respostas para satisfazer a sua curiosidade inexplicável pelo autor do livro. É como se Raimund  estivesse a “viver” pela primeira vez através das persoonagens do livro.

A história contada no livro de Amadeu é tudo menos fantasia. Cenários de um Portugal farto de ditaduras e fascismos. A luta daqueles que formam a chamada Resistência contra os que oprimem as suas vontades e pensamentos e a luta interior de Amadeu. Uma visão quase poética e filósifica através das palavras do autor.

Jeremy Irons consegue ser a personagem mais credível de todo este filme, sem querer menosprezar todos os outros actores, mas a interpretação de  Marco D’Almeida não lhe fica atrás. No entanto, fiquei desiludida por serem poucos portugueses no filme, tendo em conta que a história é sobre um dos momentos mais importantes do nosso país. Nicolau Breyner merecia muito mais do que um simples recepcionista de pensão… A história foi contada, mas podia ter sido muito mais brilhante se houvesse mais destaque para os nossos talentos na arte da representação, pois vemos João Lagarto e José Wallenstein que actuam como meros figurantes.

Para finalizar posso dizer que os cenários lisboetas do filme foram bem escolhidos, destacando a beleza e simplicidade da nossa Lisboa, que por vezes é mais bem apreciada pelos turistas que cá passam do que por nós. Lisboa está no nome do filme e serve como papel secundário, se assim o podemos dizer. Um filme sóbrio, a meu ver, interessante e cativante, mas mais uma vez deixo a ressalva que poderia ter sido bem melhor com um elenco português na totalidade…”