Review: Captain Phillips

capitaoCrítica por: Helena Rodrigues

“O realizador da trilogia Bourne com Matt Damon traz-nos a história real vivida por Rich Phillips, o comandante do navio de carga MV Maersk Alabama, durante o sequestro do seu navio por piratas Somalis e consequentemente o seu próprio rapto num bote salva-vidas pelos mesmos cabecilhas.

Sendo baseado num acontecimento verídico no ano de 2009, nunca sabemos até que ponto a passagem do drama para filme é “adornado” com o típico toque cinematográfico para puxar pelo telespectador, ainda assim, posso dizer que, na minha opinião, esta história consegue transmitir tudo aquilo a que se propõe. Medo. Não nos podemos esquecer que esta não foi uma situação isolada, e que tantos outros navios foram sequestrados desta forma. Quando falo em medo, falo na impossibilidade de evitar este tipo de ataques, apesar de se tratarem de navios enormes e os seus atacantes chegarem num pequeno barco de pesca, mas de armas em punho. Toda a tensão sentida dentro do navio, quer pelo comandante quer pelo resto da tripulação é absolutamente palpável e faz-nos pensar em como reagiríamos numa situação semelhante.

Barkhad Abdi interpreta “Muse”, um dos piratas Somalis que tomam de assalto o navio, e tanto a sua interpretação como as dos seus colegas são absolutamente convincentes. No meio de ameaças, gritos, olhos arregalados, impaciência e impulsividade, conseguem criar a tensão de que vos falo e o medo que se instala. Quanto a Tom Hanks, sou a pessoa mais suspeita para falar, porque por norma gosto de todos os filmes que faz. Mais uma vez, ele conseguiu transmitir-me todas as emoções que qualquer outra pessoa sentiria numa situação daquelas, sendo coragem a que mais salta à vista. Se a verdadeira história de Rich Phillips aconteceu desta forma, um grande bem-haja a ele, pois atrevo-me a dizer que “os teve no sítio” o tempo todo.

Por detrás do lado pessoal e emocional deste acontecimento trágico, chegam-nos as cenas paralelas das equipas militarizadas na tentativa de efectuar o salvamento. Nessas partes senti o típico patriotismo americano falar mais alto com diálogos dramáticos e metódicos como quem diz: “é nisto que somos bons”. Sem querer, de forma alguma, desvalorizar o trabalho dessas mesmas pessoas que lidam com estas situações de forma analítica e admirável e que, sem negar, salvam vidas, tirando outras pelo caminho. Aqui não se tenta justificar as razões dos piratas, mas senti que de alguma forma tenta-se abrir uma janela para o modo de vida deles, fazendo-nos lembrar o quão díspar este mundo está.”