Review: O Lobo de Wall Street

Cinemascope-O-Lobo-de-Wall-Street-pôster-nacionalCrítica por: João Loff


“Que Scorsese é um mestre, poucas dúvidas sobram. Há de tudo na sua vasta filmografia – filmes absolutamente obrigatórios, documentários musicais e também alguns falhanços, como convém a qualquer realizador que se preze. Scorsese tem 71 anos, idade para ser avô de quase todos. Tire-se então o chapéu perante aquilo que nos é apresentado – um raio x da américa do dinheiro desregrado, anárquico, animalesco, speedado e narcoléptico, ao sabor de negócios que tanto têm de desmesurados como de astronómicos – um pequeno pedaço da loucura de casino que tomou conta de Wall Street desde a administração Reagan, e que descambou com a crise do subprime. Li algures que após “Os Sopranos” terem mudado a percepção que tínhamos dos mafiosos americanos, o criador de “Goodfellas” não teve outra opção senão filmar outro tipo de “máfia”, a do capital, aquela cujas acções, lá longe, do outro lado do atlântico se repercutiram por todo o mundo a começar pela Europa. Tudo isto é contado na primeira pessoa a uma velocidade e um ritmo absolutamente esmagador. As surpresas são infindáveis, a começar pela performance de DiCaprio, que encontra nos seus vastos recursos um registo que nunca lhe tínhamos visto – o da comédia física. O leque de secundários é excelente, com destaque para Jonah Hill, Margot Robbie e a curta mas inesquecível participação de Matthew McConaughey. Mas sobretudo o que sobressai é a energia de Scorsese, que puxa dos galões que fizeram dele uma lenda e cria um opus de 3 horas reminiscente da célebre sequência do helicóptero de “Goodfellas”. Pelo caminho, traça um retrato nada abonatório do poder do capital e a forma como um mercado não regulado facilmente resvala para o lado primitivo e caótico do ser humano, simbolizado de forma exímia numa espécie de canto índio tribal que é tema recorrente. Um filme extraordinário, para pôr lado a lado com outras obras primas do mestre. “