Review: O Solista

MV5BMjExODQ3MTI5Nl5BMl5BanBnXkFtZTcwMDEyMTQ5MQ@@__V1_SX214_Crítica por: Helena Rodrigues

“Esta é a história verídica de Nathaniel, um sem abrigo que deambula pelas ruas de Los Angeles tocando o seu violino de duas cordas e o jornalista Steve Lopez que se encontrou com ele por acaso, e tocaram a vida de ambos.

Steve Lopez, interpretado por Robert Downey Jr, é um jornalista com um casamento falhado e sem inspiração, recorrendo a artigos superficiais para preencher a sua coluna no jornal. Um cidadão igual a tantos outros, vivendo apenas para si, sem olhar em redor com mais atenção. E quando conhece Nathaniel, interpretado por Jamie Foxx, o que começa por ser apenas mais um artigo, acaba por se tornar muito mais. É fascinante a quantidade de coisas boas que podem acontecer quando resolvemos parar, escutar e compreender. Sentado, num túnel barulhento no meio da cidade de Los Angeles, Steve Lopez ouve a música tocada por um sem abrigo e é aí que tudo muda.

A história dá-nos a conhecer a realidade dos bairros degradados de Los Angeles e a história daqueles que por lá se perderam. Pessoas sem esperança, ou que não têm percepção do ambiente negro e triste em que vivem, porque sempre o conheceram dessa forma. E por entre a realidade que está à frente de todos, mas que muitas vezes não queremos “ver” e aceitar, vislumbramos pequenos encantos pelo caminho, sempre acompanhados pela calma e emoção que a música traz.

Jamie Foxx interpreta um homem, que poderia ter sido um grande músico, mas cuja doença o isolou, acabando por acabar sozinho nas ruas, apenas com o seu talento inato como companhia, e Robert Downey, simboliza as pessoas que decidem parar de andar a correr de um lado para o outro, que decidem parar de pensar nelas mesmas por um instante, e que decidem marcar a diferença noutra pessoa com quem são capazes de se cruzar todos os dias, mas sem nunca escolher compreendê-las.

Um misto de emoções, preocupações e apaziguações… tal qual uma música clássica que ouvimos e nos causa arrepios à superfície da pele. Uma história que nos relembra que somos importantes uns para os outros, e que podemos tocar ou até mesmo mudar as vidas de alguém, seja escrevendo um artigo no jornal ou oferecendo um violoncelo a um sem abrigo. e no final, quando nos apercebemos, também nós mudámos.”