Review: O Sobrevivente

340217xcitefun-lone-survivor-posterCrítica por: Helena Rodrigues

“Na divulgação do filme, a propaganda dizia que era um dos melhores filmes de guerra desde ‘O Resgate do Soldado Ryan’. Bem, eu não ia tão longe, mas não deixa de ser um bom filme. Esta é a história verídica de um grupo de soldados americanos que partiram numa missão de reconhecimento em território talibã no ano de 2005 – a Operação Red Wings. Os quatro soldados no terreno, viram a sua missão comprometida e entre si tiveram de tomar a decisão que pode muito bem ter influenciado os acontecimentos que se sucederam.

E o que se sucede, é um ambiente horrivelmente real do que é estar cercado pelo inimigo nas montanhas afegãs. Sem ter por onde fugir, e sem qualquer reforço. Neste filme não esperem uma longa caminhada para fugir ao inimigo. Aqui não há tempo nem fuga possível, aqui a única solução é manterem-se vivos o maior tempo possível enquanto aguardam reforços. E é essa espera que se torna angustiante. Vemos cada um dos soldados a definharem. Vemos o modo como reagem a uma morte iminente e acima de tudo vemos como cuidam uns dos outros, e o porquê de se chamarem de “irmãos”.

Sempre que vejo este género de filmes, é reforçado na minha mente o quão estúpidas são as guerras, e o quanto perdemos e o quanto estamos dispostos a sacrificar, a dado momento, não pelo nosso país, mas pelas pessoas que estão ao nosso lado, até ao cerrar dos olhos.

Não tenho muito a apontar às interpretações de Mark Wahlberg, Emile Hirsch, Ben Foster e Taylor Kitsch. Nenhum brilhou mais que o outro, pois o objetivos era homenagear todos os soldados, o grupo. Fiquei na dúvida se algumas das situações apresentadas ocorreram da maneira apresentada no filme, ou se houve ali um “toque à Hollywood”, mas basta procurar entrevistas com o sobrevivente da missão e ele irá esclarecer-me certamente.

Outro ponto do filme é o facto de nos abrir os olhos e nos dar uma outra perspetiva perante um cenário de guerra. As pessoas têm tendência para ver o inimigo como um todo. Os “azuis” são o inimigo, vamos matar todos os azuis. Mas é importante não esquecermos que mesmo numa guerra, nem todos somos iguais. Lá pelo meio há alguém que também não quer guerras e quer viver em paz, há alguém que também se opõe às políticas que se instalam. Nesta história, esse foi o caso, que acabou por salvar uma vida, e quantas mais não teria parado para ajudar.

No final do filme, posso dizer que tentaram “puxar pelo sentimento” do público, passando fotografias dos verdadeiros soldados americanos, cujas vidas ficaram nas montanhas afegãs ao som de “We can be heroes…” de Peter Gabriel. talvez lamechice para uns, um “lembrete” para outros. Um filme que prima pela simplicidade de uma história real que aconteceu e que acontece diariamente longe dos nossos olhos.”

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