Review: Lobo de Wall Street

 

lobo

Crítica por: Helena Rodrigues

“Quando recebeu o Globo de Ouro para Melhor Actor em Musical/Comédia ele DiCaprio disse no seu discurso que não estava à espera de ser premiado nessa categoria. E talvez muita gente não esperasse vê-lo dominar uma personagem completamente louca e irreverente como esta, mas isso só vem provar novamente o seu enorme talento.

Este filme é um retrato cru da vida de Jordan Belfort, um homem que começou com a pequena e honesta ambição de se tornar alguém trabalhando na bolsa de Wall Street. A sua personagem começa como qualquer outra, vindo de raízes humildes, com uma namorada com quem futuramente teria planos para casar e constituir família. As ambições normais para todos nós. Mas quando se entra no mundo de Wall Street a mais infíma e inocente ambição é rapidamente “envenenada” e toma proporções astronómicas. O diálogo entre DiCaprio e McConaughey no restaurante serve como uma lição quase que premonitória sobre o que esperava Belfort naquele mundo.

O que se segue, é a construção de um mundo mergulhado em dinheiro, luxúria e drogas. Muitas drogas. As drogas dão um sentido de poder absoluto e aqueles que têm dinheiro e que podem viver disso, sentem-se como verdadeiros reis.

O que choca é o facto de toda a corrupção, maus hábitos e exemplos, engodos, mentiras, fraudes e falsidades aconteceram na realidade a Jordan Belfort, assim como a tantos outros. Sentimos aquela “vergonha alheia”. Alguém coloca um espelho em frente à nossa sociedade e nos diz: “Sim, isto acontece todos os dias”.

Entre festas e palhaçadas, acompanhamos o auge e o declínio deste homem de negócios. A interpretação de DiCaprio está perfeita, não há absolutamente nada a apontar. A maneira como encarnou alguém que muito provavelmente representa muita coisa que ele próprio considera errado, e ainda assim, fá-lo sem qualquer falha.

A única coisa que para mim falhou, foi talvez a duração do filme. Compreendo que fosse importante colocar muitas das cenas, e vendo bem, retirar uma ou outra cena que a meu ver teria sido dispensável, podia diminuir o efeito que Scorsese queria transmitir, mas se tivesse menos tempo não prejudicaria o filme. Julgo que devia ter sido mais valorizado nos prémios deste ano, mas não vou entrar por esse caminho…”

 

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