Review: Trilogia Bourne

bourne_trilogy1

 

Crítica por: Helena Rodrigues

“Esta é das críticas mais suspeitas que alguma vez fiz, e até posso dizer que nem chega a ser uma crítica, mas uma afirmação de que para mim, os filmes Bourne foram dos melhores que já surgiram por estas bandas…

O primeiro, Identidade, realizado por Doug Liman, apresenta-nos pela primeira vez o rosto que para sempre iremos reconhecer como Jason Bourne. Um agente operacional treinado para receber ordens e executá-las, “no questions asked”, como se costuma dizer. Jason Bourne foi o primeiro a fazer parte dos testes para criar super agentes aptos para “limpar” certas inconveniências para debaixo do tapete.
O que dá origem a uma trilogia inteligente, coerente e cheia de ação é o facto de Jason Bourne não conseguir ficar completamente “desligado” durante uma missão de assassinato. A sua perda de memória dá-lhe a oportunidade de se refazer como ser humano enquanto parte em busca de respostas sobre si mesmo.

É impecável como os dois filmes que se seguem realizados por Paul Greengrass, Supremacia e Ultimato, se ligam entre si. Quanto mais perto Jason está da verdade e das pessoas que o “criaram”, mais descobrimos sobre o mundo que começou com ele. Milhares de agentes treinados espalhados pelo mundo que recebem uma mensagem no telefone e entram em modo robôt para executar a missão que lhes foi atribuída: matar pessoa X. Porquê? Não sabem, apenas seguem ordens. E é aqui que Bourne planta a semente da dúvida. Ele é perigoso, porque ele levanta questões, questões morais. Ele já não é uma simples máquina. Ele é um homem que amou, que perdeu e que se alimenta unicamente de fazer justiça, trazendo à superfície todos aqueles que corrompem aquilo que somos, humanos. É uma personagem marcante pela sua frieza, pelo seu bom coração, pelas suas qualidades exímias que lhe correm no sangue – porque afinal, ele foi treinado para sobreviver.

Para além do trabalho extraordinário de Matt Damon nesta trilogia, tenho de realçar o papel importante e crucial de Franka Potente como Marie. Marie foi a primeira pessoa com quem Bourne sentiu uma ligação enquanto procurava saber mais sobre si. Ela tornou-se o porto de abrigo para ele no final do primeiro filme. E embora, para muita infelicidade minha, o futuro de Marie fique marcado no filme Supremacia, é sensibilizante como ela continua presente – embora ausente – no 3º e último filme. O seu nome é mencionado várias vezes, mostrando a importância e o impacto que ela teve na vida tumultuosa de Bourne.

O filme Ultimato acaba da melhor maneira possível, pairando no ar a ideia de que Bourne vive, deixando em aberto um possível regresso…Matt Damon e Paul Greengrass conversaram várias vezes em trazer de novo Jason Bourne ao nosso ecrã, mas apenas se um bom argumento o justificasse.

Enquanto isso, surgiu uma versão “menos genial” com Jeremy Renner, em que os estúdios aproveitaram-se descaradamente do título “O Legado de Bourne”, quando Bourne nem chega a entrar no filme (são usadas imagens do filme anterior). Não tenho nada contra este 4º filme, até posso acrescentar que Renner foi bem escolhido para o papel, embora se note que a sua personagem tem muito mais raízes de emoção do que o Bourne original. O argumento não está mau, mas de certa forma, deixamos de focar unicamente no agente em si, mas em todo o universo exterior à história Bourne, dando-nos uma ideia mais vasta sobre o que se passa nas organizações que continuam a treinar e a fazer lavagem cerebral a vários agentes. Embora seja um bom complemente para entendermos a extensão da história de Jason Bourne, falta-lhe aquele “je ne sais quoi” dos primeiros filmes.

Resumindo, sou capaz de passar um dia inteiro a ver os 4 filmes de seguida, porque as histórias estão ligadas temporalmente, não deixando nenhuma ponta solta. Aguardo com alguma esperança um próximo filme em que Bourne apareça para deixar algum recado moral importante a Aaron Cross (Jeremy Renner). Um filme em que estes dois entrassem, merecia a compra de um bilhete de cinema na hora.”

 

VER TRAILER (Ultimato)