Review: Snowpiercer – O Expresso do Amanhã

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“A premissa do filme pode parecer banal. Toda a civilização da Terra fica extinta. O planeta está condenado a temperaturas radicalmente baixas, congelando tudo em redor. Não há vida em redor. Apenas algo se move velozmente, eternamente, à volta do mundo preservando no interior os sobreviventes desta catástrofe.

Na Locomotiva Divina, como lhe chamam os crentes, segue o que resta da Humanidade. O mundo como o conhecíamos existe agora dentro de um comboio de alta velocidade auto-sustentável. Mas o mundo tal como o conhecemos tem classes sociais. Temos alegria, temos dor, temos crime, temos amor, temos guerra… Onde há seres humanos tem de haver tudo isto.

Na traseira do comboio, na base da pirâmide, está a ralé. Aqueles que viram de tudo, fizeram de tudo, mas que resolveram dizer “basta”. No meio da decadência, desespero e negritude surge a revolta. Há quem acredite que é possível sair daquela carruagem e enfrentar os desafios e perigos que o comboio representa, até chegar ao Maquinista Wilford, que segue na dianteira do comboio. Aquele que age como Deus. Aquele decide quem vive e quem morre na Locomotiva Divina.

A meu ver, este filme deve ser encarado como uma metáfora. Uma metáfora para o mundo em que vivemos. E a cada carruagem que é ultrapassada somos obrigados a reflectir sobre a nossa própria sobrevivência num mundo onde tanta coisa está infectada de crueldade. Desde o vício das drogas, àqueles que seguem cegamente ordens sem as questionar, às mensagens que são transmitidas na educação, as nossas falhas como seres humanos, os nossos sacrifícios e os caminhos que devemos escolher para tornar a sociedade e o mundo, melhores.

Um filme negro, com muita morte, notas dramáticas e lúgubres, com alguns apontamentos irónicos e sarcásticos pelo meio que nos fazem rir, mas logo a seguir, lamentar. Uma história de pessoas que decidem lutar contra um sistema que os mata aos poucos. Pessoas que acreditam que podem marcar a diferença. O filme acaba com uma nota de esperança, cabe a nós, decidir que caminho tomar.”

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