Review: Feitiço do Tempo

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Crítica por: André Gomes

” Não sendo um filme recente, já tem uns aninhos, realizado em 1993, Feitiço do Tempo não é apenas uma comédia divertida e inesquecível, mas sim um filme original, terno, e inteligente, que consegue algo raro no cinema, partir de uma premissa interessante e desenvolvê-la ao máximo de seu potencial, empilhando uma ideia inspirada sobre outra.
Nesse sentido, um dos grandes méritos da produção é, sem sombra de dúvida, o argumento escrito pelo próprio realizador e por Danny Rubin.
De forma extremamente habilidosa, conseguem escapar daquela que poderia ser a maior armadilha do filme – a repetição – ao transformá-la num dos pontos centrais da trama. Assim, acompanhar Phil Connors ao viver incessantemente o mesmo dia e as mesmas situações se revela divertidíssimo em função da forma com a qual o personagem lida com cada uma delas. São reações diferentes para cada momento, nalgumas diverte-se às custas das pessoas (uma vez que ele sabe que, no dia seguinte, elas não se irão lembrar do que aconteceu), noutras revolta-se com o absurdo do que está a acontecer e noutras, ajuda aqueles que cruzamno seu caminho.
Ou seja, o maior perigo de Feitiço do Tempo acaba por se tornar uma das suas maiores forças e fonte de risadas graças à criatividade do argumento. Aliás, a transformação das repetições abona a favor do filme e também deve ser creditada a dois outros factores, a lógica da direção de Ramis e, obviamente, ao trabalho impecável de Bill Murray.
No caso do primeiro, o cineasta acerta ao filmar as situações que se repetem de forma praticamente idêntica, utilizando os mesmos ângulos e movimentos de câmara. Com isso, o cineasta deixa o espectador familiarizado com cada um destes momentos e, pelo facto de já ter visto aquilo uma ou mais vezes, faz com que a nova atitude de Connors (Bill Murray) numa situação antiga se torne ainda mais destacada e, consequentemente, divertida, ao ressaltar o absurdo de tudo aquilo.
De certa forma, o filme pode até ser considerado um conto de fadas, por se tratar de uma fantasia sobre um homem em busca do amor ideal. Sim,  pode ser interpretado de diversas formas (como cada minuto é especial, é preciso fazer o melhor com o tempo que se tem, etc.), mas nada disso é em vão. Se tais questões estão presentes, são abordadas em segundo plano, sendo o principal a jornada dos personagens, retratados pelo diretor e pelo argumentp sempre com ternura, num ótimo equilíbrio entre o aspecto cómico da trama e um desenvolvimento capaz de fazer com que o espectador se importe com o que está a acontecer. É praticamente impossível não se deixar levar pela história bem construída e pela forma agradável e inteligente com a qual ela é contada.
Divertido e romântico, doce e original.”

 

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