Review: Her

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Avançamos para um futuro próximo, onde a nossa interação com novas tecnologias e computadores avançou a 200 por cento. Computadores e sistemas operativos são os novos amigos dos seres humanos. Sistemas intuitivos que falam connosco como se de um amigo se tratasse, como se estivéssemos sentados numa esplanada algures, a falar de tudo um pouco.

Joaquin Phoenix dá provas do seu grande talento na pele de Theodore, um homem introvertido, solitário, que escreve bonitas cartas de amor digitais para outras pessoas. Theodore está em processo de divórcio e uma parte de si desapareceu. Foca-se no seu trabalho e nada mais. Em casa perde-se no seu próprio silêncio, até que resolve procurar companhia, não num colega de trabalho ou amigo, mas num novo sistema operativo  que se intitula Samantha, com a voz de Scarlett Johansson.

Samantha parece real, praticamente em tudo, embora o facto de não ter corpo seja mencionado inúmeras vezes ao longo da história. O que vemos nascer a seguir, é uma relação, uma história de amor entre Theodore e Samantha. E as questões que imediatamente se impõem são “é possível?”, “porque é que isto aconteceu?”, “será esse o futuro?”. Todas as questões que levantei levaram-me de forma inevitável a uma sensação de “deprimência”. Não pude deixar de sentir uma pena constante pela personagem de Theodore, que contra tudo  (e até contra mim!) parecia realmente feliz com a relação amorosa com um computador.

Será cada vez mais normal para nós, humanos, nos refugiarmos na nossa solidão, por detrás de um ecrã de computador, por detrás de uma rede social, e de certa forma, nos querermos proteger das relações reais e complicadas entre humanos? Conseguiríamos obter tudo o que o nosso coração e espírito procuram? Será assim tão simples…e de alguma maneira, assustador?

Scarlett convence-me como o OS Samantha, mas não foi o suficiente para acreditar de forma total nesta história de amor. Talvez eu seja demasiado romântica e não queira sequer colocar a hipótese de um possível futuro cinzento, em que deixaremos de nos relacionar com pessoas de carne e osso, na forma real e natural, e colocar a hipótese  de nos afastaremos cada vez mais uns dos outros, da nossa condição humana.