Review: Num Outro Tom

begin again

 

Crítica por: Helena Rodrigues

“Num Outro Tom foi uma agradável surpresa. Não são todos os filmes, cuja música é o foco central, que conseguem despertar emoções, significado e uma empatia profunda com as personagens.

Um produtor que definha na carreira e na vida pessoal, procura uma nova voz, uma nova inspiração numa sociedade invadida por sons pop, monossilábicos que pouco ou nenhum sentido conseguem transmitir nas suas canções. Mark Ruffalo interpreta na perfeição esta personagem. Apesar de o vermos a decair a olhos vistos no início do filme, conseguimos ver nos seus olhos a paixão que ele tem pela música, e acaba por ser essa paixão que o mantém à tona.

Uma compositora, perde o norte e encontra num produtor praticamente acabado a força e esperança necessária para voltar à superfície. Keira Knightley surpreende com os seus dotes musicais (a meu ver, nada de muito espetacular), mas sem dúvida alguma convence como uma artista a solo, independente, sem quaisquer artifícios ou fachadas que hoje em dia só servem para vender álbuns e não para partilhar letras com significado e emoção.

Adam Levine, vocalista dos Maroon 5, tem uma participação secundária no filme, mas o seu objectivo é cumprido. Ele representa todos aqueles que começam pelo amor à música, mas que acabam por se vender à indústria e a um modelo que é esperado e quase que exigido. Deixando-nos cuma redenção muito especial no final do filme, com o tema “Lost Stars”.

Knightley e Ruffalo são o par perfeito numa viagem que homenageia a boa música. A música sem vozes modificadas. Aquela que nos toca com sons naturais. Aquela que tem raízes. Uma viagem com humor, momentos de reflexão e que nos faz sair do cinema cantarolando.

Uma história contada por palavras e por músicas, que se interligam na perfeição. Onde a banda sonora é maioritariamente de Keira Knightley e Adam Levine, e que sem qualquer receio ou embaraço, podemos ouvir vezes sem conta. Recomendo!”