Review: Perfect Sense

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Crítica por: André Gomes

“Já imaginaram uma vida sem os cinco sentidos? Será que conseguiríamos viver sem visão, olfacto, tacto, paladar e audição? Seria de todo improvável, mas a acontecer certamente perderíamos todos aqueles pequenos e grandes momentos que marcam o dia a dia, perderíamos grande parte daquilo que nos rodeia e tudo aquilo que dá algum sentido e transforma a nossa vida, perderíamos todo o tempero que salpica o nosso quotidiano de pequenos pormenores, que nem sempre valorizamos.

Temos a oportunidade de ver o potencial de amar nos olhos e nos corpos de Eva Green e Ewan McGregor que formam um belo casal. O filme centra-se na relação deles, mas muitas vezes olhamos para o resto que se torna uma histeria em massa sobre a percepção do que existe através dos sentidos.

É uma combinação de pontos de vista que nunca poderia ser levado a sério antes de ver este filme. O filme é bem escrito e filmado. Na verdade, os últimos vinte minutos são particularmente poderosos, porque aborda de forma estilística e dramática e enfatiza a consistência que é necessária, independentemente da crescente angústia que as pessoas experimentam.

Do início ao fim do filme, seja através das cenas da epidemia, seja nas cenas onde o casal inicia um romance, nos altos e baixos, desde a mais intensa cena de sexo até a falência múltipla dos sentidos sendo magistralmente retratado, em momento algum nos é oferecida alguma expectativa de um final feliz, de uma garantia qualquer que solucione o caos instalado no mundo interno e externo.

O exemplo mais proeminente neste aspecto é provavelmente a falta de som direto que segue a surdez súbita e total. “Perfect Sense” termina no paradoxo forte, porém singelo, duro, porém com esperança, e mostra que o amor é um sentimento e não um sentido.”

 

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