Review: Nightcrawler – Repórter da Noite

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Lou Bloom é uma pessoa que tem ambições pessoais. Até aí tudo bem, todos nós as temos. Lou quer descobrir a sua verdadeira vocação, aprender com ela, conseguir uma carreira e ser reconhecido pelo seu trabalho. Lou sabe argumentar, convencer, manipular, chantagear e matar… se isso implicar chegar à posição que pretende.

O filme, para além de mostrar uma personalidade completamente desprovida de consciência moral e emoções naturais ao ser humano, leva-nos até à dura realidade das ruas e dos crimes que nela ocorrem. Apresenta-nos uma perspectiva crua, fria e insensível dos chamados “Nightcrawlers”, repórters que vivem na noite, de câmara em punho, procurando imagens grotestas e chocantes para vender ao canal que pagar mais.

Num misto de perturbador, com uma pitada de humor negro, acompanhamos o progresso de Lou Bloom, aqui interpretado por Jake Gyllenhaal que vem provar mais uma vez a sua solidez como actor. Desde a transformação física, à transformação psicológica, ali só vemos Lou. Ficamos vidrados no seu olhar, a modos que psicótico, e na sua voz incessante, que argumenta, explica e aconselha ao longo do filme, justificando todas as suas acções.

Preparem-se para ficarem chocados com momentos de tamanha insensibilidade que levantam a questão: “Como é que isto é possível?”, momentos em que é impossível não rir dessa realidade distorcida onde Lou habita e momentos que nos fazem reflectir sobre o “romance” que existe entre as televisões e os operadores de imagem que lhes fornecem o pior, o mais sangrento e o que vende… Porque verdade seja dita, se um concorrente da Casa dos Segredos matasse outro à facada e houvesse imagens disso à solta, não seriam poucos os que iriam a correr ver isso.”

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