Review: The Giver

Imagem: As Is Productions

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Vi o trailer deste filme uma vez e registei apenas mentalmente que tinha de vê-lo para matar a curiosidade. Assim que a história começou entrei um pouco em pânico porque era a preto e branco, mas resisti à vontade de desistir e tentei perceber o que se passava, e claro, a ausência de cores no início do filme tinha uma lógica.

É-nos apresentada uma comunidade criada para proteger os humanos de todas as emoções negativas que no passado levaram a guerras, vinganças, racismos…etc. A ideia desta comunidade era criar os humanos de forma a nunca terem de sentir nada de negativo. É mais um daqueles enredos de tentativa de criar uma sociedade perfeita, e como em todos enredos desse género, chega-se sempre à conclusão que isso nunca irá acontecer.

Jonas é um jovem educado, selecto nas suas palavras, que cumpre regras, sem nunca questionar a sociedade em que vive (a preto e branco) até que no dia em que lhe é atribuída a  sua função na comunidade e conhece o Dador de Memórias, interpretado por Jeff Bridges. A função do Dador é mostrar a Jonas o que existe para além daquela comunidade – ou o que existia – antes de todas as emoções e sentimentos fortes e desviantes terem sido banidos. É com estas memórias que Jonas começa a ver o mundo tal como ele é, e é nesta altura que ele começa a ver as cores à sua volta. A temática da cor neste filme é uma maneira de nos fazer entender que não podemos viver num mundo “a preto e branco”, temos de sentir tudo o que seja mau e bom. Se erradicarmos o ódio, a inveja, o ciúme acabamos por erradicar os seus opostos também, porque sem amor não conhecemos o ódio, a inveja e o ciúme.

A história foca-se nas belas e perigosas emoções que constituem o ser humano. Faz parte da nossa natureza tudo que é bom e mau, é isso que nos transforma e que nos distingue. Existe muita coisa má no mundo, mas também existe muita coisa bela da qual esta comunidade se refugiava. O filme é baseado num livro, por isso tenho a certeza que ler o mesmo teria sido muito melhor que ver o filme. Tenho de acrescentar, porém, que embora a história seja interessante por abordar um tema tão complexo, a profundidade de algumas personagens deixou muito a desejar. Algumas questões foram resolvidas “à pressa” e parecia que havia algumas falhas no crescimento da história – mais uma vez, talvez se deva ao facto de ter sido baseado num livro… há muita coisa que se perde quando é traduzido para o grande ecrã.”

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