Review: O Jogo da Imitação

The Imitation GameCrítica por: André Gomes

“Trata-se de um drama histórico, baseado em factos reais sobre o matemático da Segunda Guerra Mundial, Alan Turing. Alan Turing. aquela lenda urbana pelo logo da Apple, com uma maçã multicolorida mordida, teria sido uma homenagem a ele, ou pelo teste de Turing, capaz de medir se a capacidade de uma máquina é equiparável à inteligência de um humano, mas este também tem um outro grande feito na sua história, ele é considerado o criador do primeiro computador. O filme realizado por Morten Tyldum, não poupa esforços na reconstrução da época, usou máquinas originais da Segunda Guerra e filmar nos locais em que alguns factos aconteceram para garantir a autenticidade.
Dividida entre a adolescência de Alan Turing, a fase do conflito e os dias da sua condenação, a acção passeia entre três períodos para o espectador poder juntar as peças, da vida pessoal de Turing, e saliento aqui a excelente participação de Alex Lawther, que interpreta Alan Turing na sua juventude, esteve muitissimo bem. Benedict Cumberbatch, que faz de Turing na fase adulta, exibe mais uma vez ser um actor de enorme talento.

É particularmente sublime ver o actor a colocar sentimento na elaboração da máquina, com o argumento a explorar que esta obsessão, em querer criar uma máquina quase com inteligência artificial encontra-se ligada a uma perda no passado.
A personagem interpretada por Keira Knightley é a única mulher no meio de homens, algo que inicialmente até leva a que seja confundida como candidata a secretária, procurar exacerbar a sua presença, com esta a ser um importante apoio para o protagonista durante alguns momentos fulcrais da narrativa. Joan é uma mulher habituada a estar sob a alçada dos pais, que aos poucos revela a sua forte personalidade, apresentando uma inteligência acima da média e capacidade de ser um dos poucos elementos a compreender Alan e a conseguir que este aprenda a colaborar em equipa, que ao inicio Alan e Hugh Alexander chegaram a ter alguns arrufos. Esta não tem problemas em desafiar Alan e a colocá-lo perante a sua constante incapacidade de expressar os sentimentos correctamente, chegando muitas das vezes a ironizar com a relação de ambos. Saliento a fenomenal interpretação de Benedict Cumberbatch, foi realmente incrível.
Benedict Cumberbatch consegue ainda sobressair nos trechos de maior alívio cómico, sobretudo nos momentos mais petulantes do personagem ou quando este leva demasiado à letra aquilo que lhe dizem, procurar muitas das vezes descomprimir, com sucesso, o espectador dos momentos de maior carga dramática. Este surge ainda acompanhado por um elenco secundário que a espaços consegue sobressair, para além da já mencionada Keira Knightley, actores como Matthew Goode, James Northcote, Allen Leech e Jack Bannon destacarem-se.

Um filme para ver e rever.”