Review: Foxcatcher

Imagem: Annapurna Pictures

Imagem: Annapurna Pictures

Review: Foxcatcher

Crítica por: André Gomes

“Uma história baseada em factos reais. Channing Tatum e Mark Ruffalo tem um ótimo desempenho, são os irmãos Mark e Dave Schultz respectivamente, que estão a enfrentar um momento menos favorável entre eles, dois irmãos lutadores. Dave o irmão mais velho, representado por Mark Ruffalo, que esteve muito bem neste papel e igualmente bem caracterizado, mostrando um aspecto visual mais envelhecido que a sua idade real, é também quem treina o seu irmão mais novo Mark, representado por Channing Tatum. Mark sonhava em atingir conquistas no ringue como um meio de provar o seu valor e sentir que merecia o amor que lhe era devotado.

A relação dos dois irmãos era boa até ao momento em que Mark conhece John Du Pont.

Steve Carell, imprevisível escolha para interpretar o treinador, é o destaque com a sua excelente caracterização, praticamente irreconhecível. Conhecido como comediante, Carell surpreende-nos com uma excelente actuação num drama. As suas expressões, o ar confuso e por vezes coberto de súplica. O simpático, opressor, e dissimulado, interpreta a personagem de seu nome, John Du Pont, tem a ideologia de “caça-raposas” para lutadores vitoriosos logo identificada como um constante exercício de poder, quase político.

Movido pelo patriotismo e o amor ao liberalismo, Du Pont orgulha-se de trazer vitórias aos Estados Unidos. Um país que ele acredita que perdeu os valores morais e propaga a imagem de um pai, mentor e líder, algo repetido exaustivamente pelo treinador e os seus discípulos. Ao conhecer melhor o homem por de trás de tais pensamentos. Ele é um obcecado e autoritário que precisa de se provar vencedor até para a própria mãe idosa.

Steve Carell transforma Du Pont numa criatura visualmente esquisita, demonstrando também o seu talento dramático ao adoptar um tom de voz pausado e um olhar desconfiado que revelam uma alma angustiada cujos métodos de manipulação resultam de um forte complexo de inferioridade.

Gostei bastante das interpretações dos três protagonistas, e é isso que prende, porque o filme em si não achei nada por aí além. Pela actuação dos protagonistas vale a pena ver.”

 

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