Review: Whiplash

 

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Miles Teller e J.K Simmons são as duas personagens principais de “Whiplash”. A última observação que ouvi sobre este filme foi que era “muito linear” e que pouco ou nada acontecia. Mas há tanto a acontecer, principalmente quando a orquestra dirigida por “Fletcher” (J.K Simmons) começa a tocar.

Andrew estuda num conservatório de música como baterista. O seu esforço e dedicação por uma vocação que o apaixona é ignorada pelos seus familiares, isto porque, trabalhar na indústria da música não rende nada, não faz ninguém famoso e ninguém sabe quem tu és. Apesar da falta de confiança por parte da família Andrew não desiste, principalmente quando o professor mais rígido do conservatório resolve dar-lhe uma oportunidade no seu grupo musical.

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É a partir desse momento que têm autorização para odiar a personagem de J.K Simmons, que mereceu sem qualquer sombra da dúvida o Óscar para Melhor Actor Secundário, se bem que, a meu ver ele é a peça principal deste filme.

Ele é um homem que dá muito valor à música e ao talento que nasce dentro dela. A paixão dele pela perfeição é tanta que leva os seus alunos ao extremo. Podem esperar momentos revoltantes, tensos e frustrantes. Vamos passar a desejar que aquela nota saia bem, para o bem de toda aquela orquestra. Vamos ficar com dores nas mãos, vamos decorar o raio da nota que não quer sair, vamos desejar com todas as nossas forças sermos mais velozes na batida.
E vamos perguntar-nos várias vezes: “Porque é que eu havia de aturar este tipo de professor?”.  A verdade é que tudo se resume ao desejo de querermos ser os melhores. Sabemos o que queremos alcançar, sabemos que a música é aquilo que nos completa e não vemos mais nada à nossa frente, mesmo que isso exija sacrifícios pessoais.
É por estas razões que Andrew se sujeita aos tratamentos do seu novo professor, é pelo seu amor à música, por acreditar que consegue chegar ao auge das suas capacidades e almejar ser o maior naquilo que ama que Andrew chega ao seu próprio limite e, espantosamente, vemo-lo a dar mais um passo em frente, mesmo que isso implique suar…até sangrar.”

 

Crítica por: André Gomes

“O jovem Andrew Neyman é encarnado por Milles Teller com energia, sem criar um personagem enfraquecido, que ganha forças para que a identificação com o público seja facilitada, pelo contrário, a identificação vem através da dedicação do seu personagem em busca dos seus objetivos. Neyman, nunca é posto como o elo fraco, é um jovem baterista que sonha em ser o melhor da sua geração e marcar o seu nome na música como fez Buddy Rich, o seu ídolo na bateria. Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos E.U.A. E é aí que conhece o temível professor Terrence Fletcher, interpretado por J.K.Simmons. Faço referência a J. K. Simmons que faz um excelente papel, consegue mesmo irritar, pelo menos a mim conseguiu. O olhar, a forma imponente com que se coloca diante dos alunos, e especialmente a maneira como demonstra as emoções fazem deste personagem uma incrível mistura de mestre e vilão. Quando Fletcher vê Andrew tocar bateria, é possível ver nos seus olhos que ele se apercebe do potencial do jovem, e depois compreendemos que ele apenas utilizou artimanhas cruéis para extrair o máximo do aluno. No embate final entre mestre e pupilo, a maneira como ambos dialogam apenas através do olhar e das acções faz-nos compreender que não é preciso uma voz para emocionar, como nos prova a música. O filme apresenta duas pessoas com um ideal em comum. A grandeza só pode florescer com esforço “A pior coisa que aconteceu para o mundo foi essa de ter que elogiar um bom trabalho. Não é a toa que o jazz está a morrer”, racionaliza o professor, lamentando que para essa música a transgressão marginal é necessária, o “sangue nos olhos”. Na visão de Chazelle, o exagero do politicamente correcto em todos os níveis da sociedade merece uns bofetões para criar coragem. O realizador Damien Chazelle concebe uma obra fascinante ao retratar o árduo trabalho em busca da perfeição e o preço a pagar por ela, ainda apresenta uma sequência final espetacular de tirar o fôlego, coroando assim, uma obra impecável que faz jus ao jazz. Uma obra simplesmente imperdível.”

 

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