Review: Sidewalls/Medianeras

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Crítica por: André Gomes

Medianeras é um filme argentino e participou na Mostra Competitiva no Festival de Gramado em 2011, no qual venceu os prémios de Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro. É um retrato moderno sobre como as pessoas se relacionam na era digital e como as tecnologias e até mesmo a arquitetura de uma grande cidade são responsáveis pela nossa constante “solidão”.
É quase que impossível ver o filme e não se sentir representado, pelo menos por algum diálogo, uma personagem, um momento, algo que remeta rapidamente à nossa própria vida, é daqueles filmes que falam muito mais sobre nós do que gostaríamos de admitir. Duas pessoas com coração partido, sempre com a mesma rotina, diante de um computador, onde a internet os possibilitou conhecer o universo e a cada dia a mais é como se esquecessem como é realmente a vida, prisioneiros de uma cultura que o próprio filme denominou de “a cultura do inquilino”, a cultura do desapego, do desafecto. sozinhos.
Sozinhos neste mundo tão repleto de gente, de opções, a solidão que surgiu como consequência de um mundo cada vez mais tecnológico, mais necessitado de acções rápidas e fáceis, a internet que nos conecta ao mundo e afasta-nos da vida. Martin e Mariana ( as personagens principais) são um reflexo nítido da nossa actual existência, denúnciam de forma realista (e poética) o triste modo como vivemos.
Medianera é, mais precisamente, aquele lado dos edifícios que não servem de nada, ocupado muitas vezes por propaganda, uma parede lisa, sem janelas. É interessante, então, quando as personagens decidem quebrar parte desta medianera, abrindo um buraco ilegal, mas que de certa forma, lhes devolve a luz que faltava às suas vidas, dando uma nova “vida” que até este momento era melancólica.

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“Medianeras” de Gustavo Taretto é um marco do cinema contemporâneo argentino, a prova do quão bom é o cinema deste país, capaz de tocar os corações mais insensíveis, numa história de amor tratada com bastante humor e delicadeza, um roteiro que trás grandes discussões numa trama realista e complexa, toda ela realizada na cidade de Buenos Aires, mas que poderia ser qualquer outra, contando a trajectória de Martin e Mariana que poderia ser a de qualquer um de nós. Sensível e emocionante, extremamente simples e também extremamente inteligente. Recomendo.”

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