Review: The Drop

Imagem: Fox Searchlight Pictures

Crítica por: André Gomes

“Um bom argumento de Denis Lehane e as sólidas interpretações de Tom Hardy, Noomi Rapace, James Gandolfini e Matthias Schoenaerts onde um bairro de Brooklyn é marcado pelo crime e personagens moralmente ambíguas.

A atmosfera que rodeia o filme é marcada pela frieza da neve e da temperatura, com o enredo a desenrolar-se entre os dias posteriores ao Natal e ao final do ano, algo que permite expor esta cidade como um local nem sempre aprazível. O protagonista, Bob Saginowski (Tom Hardy), um bartender no bar do seu primo Marv (James Gandolfini), é o paradigma dessa zona cinzenta por onde se encontram as personagens de “The Drop”.

Não é um indivíduo de má índole, mas nem por isso deixa de tomar actos e decisões violentas e pouco recomendáveis, em parte devido ao meio que o rodeia e no qual este se encontra envolvido, é alguém que fica naquela zona cinzenta, entre o bem e o mal, um tipo solitário e simples no seu modo de agir, quase sempre vestido com o seu blusão de ganga, que frequenta regularmente a igreja embora nunca fique para a comunhão.

O quotidiano de Bob muda quando encontra um pit bull bebé, ferido, no interior de um caixote do lixo, algo que o conduz a pegar no cão e ajudá-lo, encontrando-se longe de saber que este momento viria a trazer algumas consequências inesperadas para a sua vida. Esta situação desperta o interesse de Nádia (Noomi Rapace), uma mulher que procura informar-se sobre o que Bob se encontra a fazer junto ao caixote do lixo da sua habitação. Inicialmente desconhecemos praticamente todo o passado de Nádia, com esta a surgindo meio arisca e temerosa, mas meiga para com o cachorrinho.

Nádia também não parece ter grandes possibilidades de ficar com o mesmo devido a trabalhar de noite, embora aceite ficar temporariamente com “Rocco”, o nome dado ao pit bull, até Bob se decidir se fica ou não com o mesmo, e a partir daqui muita coisa irá desenrolar-se e tornar a coisa mais interessante e misteriosa…

O filme estabelece interessantes relações de poder e tem uma boa manipulação de expectativas, o que dá uma ótima e constante sensação de insegurança. Gostei bastante da interpretação de Tom Hardy, já tinha gostado do seu desempenho em “Warrior” e no papel de Bane, em “Batman: The Dark Night Rises”. Matthias Schoenaerts esteve igualmente bem.

Este foi o último filme de James Gandolfini,o actor faleceu após produção com um enfarte a 19 de Julho de 2013. Na pele do chefe de família e mafioso Tony Soprano, de “Família Soprano”, James Gandolfini protagonizou uma das maiores revoluções na indústria do entretenimento norte-americano. Além de promover uma reformulação nos padrões das produções televisivas dos Estados Unidos.

Nestes dias/ noites mais chuvosos, porque não estar diante o ecrã e assistir a este filme ?
Não sendo deslumbrante, passa-se um bom bocado.”

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