Review: Spectre

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Crítica por: Helena Rodrigues

“O que dizer sobre o mais recente filme da saga Bond liderada por Sam Mendes e Daniel Craig, “Spectre”? As expectativas eram grandes, erro meu, que tenho de começar a moderar os níveis de entusiasmo em relação a algo que ainda não vi.

É de salientar que “Skyfall” foi um grande filme Bond. Toda a história envolta no passado de Bond, o vilão louco e carismático interpretado por Javier Bardem e claro, o último fôlego da imponente M, num papel tão bem desempenhado pela inigualável Lady Judi Dench. Foi um filme que parecia completar um ciclo forte e poderoso, avizinhando um novo e grande futuro.

De repente, surgem os teasers sobre o elenco, Christoph Waltz e Léa Seydoux e Monica Bellucci, com um novo tema do cantor britânico do momento Sam Smith? Sim, o nível de entusiasmo foi aumentando consideravelmente. Mas o que dizer após ver o filme, efectivamente?

Comecemos pelo tema musical, cujos segundos iniciais, vão de encontro ao estilo clássico dos filmes Bond, mas consoante os minutos passam só consigo associá-lo a uma balada típica de Sam Smith. Depois, o passado de Bond volta a atormentá-lo. Se bem que, não chega a ser bem aprofundado.  Fala-se numa sociedade misteriosa, com alguém misterioso, que interliga todos os vilões anteriores, que “roubaram” das mãos de Bond as várias mulheres que tiveram importância na sua vida. Um homem que surge nas sombras, criando suspense, nunca revelando o rosto… o imponente Christoph Waltz! E o que faz o grande vilão neste filme? Absolutamente nada. Um talento tão mal aproveitado que até me doeu. Ameaças e conversas vãs, durante uma participação que no máximo terá tido cerca de 15minutos, se tanto. E cujo o destino final se resume à própria insignificância que a personagem teve. Quase indiferente.

Léa Seydoux é a nova Bond Girl, percebe-se porquê a nível de imagem, mas não percebo porquê a nível de interesse amoroso, sendo que ao longo do filme sempre senti uma espécie de ligação entre “jovem e protector” e nada mais. Bellucci deu o ar da sua graça, só para ser mais uma na “checklist” de Bond, que enquanto recebe o tratamento especial do agente britânico, revela de forma demasiado conveniente os detalhes que ele precisa saber e pronto. Cinco minutos.

Diziam que seria uma história mais forte que “Skyfall”, mas para mim, foi algo intermédio. Algo que era suposto ser em grande, mas onde se perdeu algo pelo caminho. Um filme Bond, com os clichés habituais, onde a profundidade da personagem tão bem desenvolvida por Daniel Craig pareceu não ter muito mais por onde pegar, se é que havia sequer.

Continuo a achar que a Moneypenny podia ser um contributo bem maior do que tem sido, o seu papel ao longo dos filmes foi crescendo aos poucos e esperava algo mais neste, o que também não aconteceu.

Será que precisamos de um novo Bond? Uma nova história? Um novo remake? Quantos mais Bonds estarão por vir? Quantos mais Bonds conseguirão aguentar perante um público cada vez mais exigente por querer ver mais, maior e melhor?”

 

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