Review: Temple Grandin

Crítica por: André Gomes

“O filme relata a vida de Temple Grandin,uma autista.
Uma história verídica.

Temple foi diagnosticada com autismo aos quatro anos de idade, onde o médico constatou para a sua mãe que a causa seria a indiferença dela para com a filha, acusando-a de falta de carinho e amor.

O filme tenta-nos e consegue, quanto a mim, mostrar um pouco de como Temple interpreta o mundo ao seu redor, por imagens e animações que mostram ângulos. Essa parte que o filme mostra é bastante interessante, que é como Temple vê o mundo a partir das suas limitações e como ela entende o seu papel na sociedade.

Esta história também nos passa uma imagem de como Temple é genial e lutadora, os seus esforços no entanto só mudam quando ela se abre para a ajuda de outras pessoas, sendo uma pessoa com autismo Temple não suporta ser abraçada, nós percebemos ao longo do filme a dificuldade que a sua mãe tem de se conectar com ela.

Claire Danes, foi a actriz que interpretou Temple, e digo-vos desde já, que o seu desempenho foi genial, ela consegue transmitir para o espectador tudo aquilo que um autista sente, a maneira descoordenada e rápida com que fala é extraordinária, o seu andar desajeitado, o seu olhar vazio e fixo num ponto. Achei a sua actuação o expoente máximo do filme, ela foi simplesmente brilhante.

Claire Danes destaca-se também como uma potencial actriz a vencer óscares a manter este nível de interpretação. É do tipo camaleão, em cada filme que faz tem um novo “rosto”, mas falando neste especificamente, a actriz está muito bem caracterizada, tornando o seu rosto natural, jovem e bonito, um pouco mais estragado.

temple 1

Julia Ormond faz o papel da mãe da protagonista. Aquela mãe que não aceita inicialmente a doença da filha, mas que no entanto tem um amor inquestionável por ela, fazendo das tripas coração para poder dar o melhor à filha dentro das suas possibilidades, gostei de ver Julia Ormond neste papel.

Catherine O’Hara, faz o papel de tia de Temple, e esta tem um papel igualmente importante, na minha perspectiva ela é a “balança” desta família, pois na infância de Temple foi um apoio para ela muito importante e simultaneamente à mãe de Temple. Uma tia que dava a confiança e carinho que a sobrinha precisava e dava a segurança à mãe de Temple.

David Strathairn, que interpreta um professor que soube reconhecer a inteligência de Temple Grandin, esteve uma performance satisfatória e cativante. Foi ele o “arquitecto” para que Temple “abri-se portas”.

Por fim, esse filme usa uma linguagem profunda para explicar a condição de Temple como autista, explicar que eles sentem falta do “abraço” e do carinho, mas que há um bloqueio para isso. Outra metáfora importante a ser citada é a frase recorrente da sua mãe : “Different , not less.”
(Diferente, mas não inferior).

Mais que um filme, esta é uma lição de vida, que nos motiva a não ficar parados diante dos problemas. Muito bom.”

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