Review: Memento

memento

 

Crítica por: Helena Rodrigues

“Eis um filme do realizador Christopher Nolan, que já nos ofereceu argumentos complexos de fazer coçar a cabeça como foi o caso de “Inception”, “Interstellar” e até “The Prestige” (para quem não conhece, vejam!).

O filme “Memento”, é bem antigo, eu sei, mas só há pouco tempo tive oportunidade de vê-lo após emergirem rumores de um remake do mesmo, e agora compreendo o choque do público com o possível remake. Para quê mexer no que já está bom.

Em “Memento” conhecemos a personagem “Leonard”, interpretado por Guy Pearce. Leonard é um homem atormentado por não conseguir reter memórias a longo prazo desde que sofreu um  traumático acidente, onde perdeu a sua mulher. Desde então, Leonard persiste numa busca ao assassino da mulher, dependendo das memórias fugazes que se desvanecem todos os dias. Para se manter no bom caminho, todas as pistas que encontra são tatuadas no corpo, e recorre a fotografias instantâneas com pequenos anotamentos para saber, no dia seguinte, se as pessoas que o rodeiam são de confiança ou não.

A história começa no fim e acaba no princípio. Retrocedemos no tempo, momento a momento. Obtendo mais uma pista, mais uma informação a cada passo que Leonard dá. Nós perdemo-nos na cabeça dele, ganhamos empatia, queremos descobrir o assassino da sua mulher e estamos sempre na expectativa a cada nova informação ou pista que Nolan nos atira…que muitas das vezes nos passa ao lado.

Aquilo que Leonard conhece, baseia-se nas suas anotações. E nós, como telespectadores focamo-nos nesses mesmos factos, porque tal como ele não temos mais nada onde nos agarrarmos. Mas o que são factos quando uma pessoa não retém memórias? A realidade torna-se cinzenta, deixa de existir o “preto no branco”.  Perdemos a percepção da verdadeira realidade de Leonard. No final de tudo (antes das memórias desaparecerem e um novo dia começar, fresco, sem recordação do que aconteceu para trás), ganhamos consciência do quanto poderosa é a nossa mente e de como podemos usá-la para escolhermos aquilo que queremos ver e aquilo em que queremos acreditar.

Um filme que deixou a minha cabeça num nó, algo que não acontecia desde “Mulholand Drive”. Aconselho a verem-no sem grandes preocupações, porque se começarmos a tentar juntar as peças do puzzle…caímos na mesma espiral de Leonard.”

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