Review: Hunger

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Crítica por: André Gomes

“Claramente Hunger é um filme mais humano do que político. O pano de fundo conta uma história extremamente importante, mas o enfoque maior da obra está na condição e no acto, e não na mensagem propriamente dita.
A história decorre no ano de 1981, uma greve de fome que foi iniciada na prisão de Maze, na Irlanda do Norte.

Dividido em três situações distintas, primeiro acompanhamos o isolamento e a crueldade que estas condições detestáveis causam aos prisioneiros. McQueen então usa a sua veia artística (fortíssima) para realmente causar repulsa. Logo no início acompanhamos o sentimento claustrofóbico de um novo prisioneiro, que ao entrar na cela, a vê pintada de fezes até ao tecto, e agachado no canto está o seu companheiro de cela, Bobby Sands, de barbas e cabelos longos que mal se consegue ver a cara.

Pois bem, Bobby Sands, um dos mais relevantes militantes da IRA (Irish Republican Army) sujeitou-se a tais tormentos de enclausuramento, e é através desta personagem que a história se vai desenrolar, papel interpretado por Michael Fassbender.

Porém, sabiamente, “Hunger” não se limita a somente mostrar a violência. Há outros condutores de relacionamento.

Seguimos para a segunda parte da acção, McQueen oferece-nos uma bem concretizada sequência de 15 minutos em que Bobby Sands explica os motivos da sua luta para com um padre, tal cena é nos apresentada sem movimentos de câmara,sem banda sonora, culminando o silêncio como cúmplice desta operação sem artifícios de entretenimento, trata-se de um excerto do cinema mais primitivo que só o cinema europeu seria capaz de interpretar.

A terceira parte, surge como Bobby Sands utiliza o corpo como última arma de protesto, o equilibrio harmónico entre o declínio, a depressão emocional e a caracterização visual altamente arrojada, está brilhante.

Contrastando com o horror da situação, McQueen demonstra a sua qualidade única ao enquadrar tudo de maneira simétrica e paciente, faz do detalhismo marcar toda a diferença.

O trabalho do elenco é impecável, destaque para o protagonista Michael Fassbender que começa a somar pontos na minha consideração, faz mais um trabalho impressionante, não é só o talento que faz um actor, mas sim a sua dedicação pelo papel e o sacrifício ao cinema, as mazelas ficam em Michael Fassbender e nele um magnífico desempenho pelo amor ao cinema, tal como Christian Bale fez no filme ” O Máquinista”.

Nestes dias frios que aí vêm, aconselho a assistirem filmes e aqui tem uma sugestão caso não saibam o que ver.”

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