Review: A Rapariga Dinamarquesa

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Crítica por: Helena Rodrigues

“Eddie Redmayne prova mais uma vez o seu enorme talento como actor “camaleónico”, permitindo-nos desculpá-lo por aquela interpretação acidental em Jupiter Ascending (péssimo!).

Esta história apresenta-nos Einar Wegener, um pintor introvertido casado com Gerda, também ela uma pintura que procura desesperadamente uma oportunidade no mundo das artes. Existe amor entre ambos, entre um homem e uma mulher, mas é um outro amor que no início é invisível aos nossos olhos. Porque Einar não é verdadeiro consigo mesmo. Não é verdadeiro para com aquilo que verdadeiramente sente no seu interior.

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O que mais me encantou no filme foi a maneira como nos é apresentada a viagem de descoberta de Einar. Vemos os primeiros momentos em que ele sente algo diferente, algo que o assusta, mas que lhe parece correto. Por entre tecidos, sedas, lenços e cores…ele vai percebendo que pertence ao mundo feminino. É impressionante como Eddie Redmayne consegue transmitir apenas através de um olhar ou um sorriso, o nervosismo e insegurança inerentes a qualquer jovem rapariga que começa a explorar o mundo da paixão, do amor e da sensualidade.

Não é retratada apenas a história de um homem que queria ser mulher e para tal se submeteu à primeira cirurgia tentada na época para esse efeito. Não se trata apenas de ciência. O argumento mostra muito mais isso. A transformação final de Einar em Lili, é apenas um fim trágico de um percurso de descoberta e aventura quase mágico. Todas as emoções positivas e negativas são retratadas com cuidado e doçura. É impossível ver este filme e não conseguir compreender as dificuldades emocionais que surgem em Einar, e neste caso, não só para ele, que acaba por desaparecer em Lili, mas também para Gerda que acompanha as transformações do marido dia a dia, gerando conflitos interior em si também.

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São duas histórias de amor num filme só. É um belo conto de libertação.”

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