Review: The Revenant – O Renascido

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Primeiro há que soltar assim umas divagações à toa cheias de entusiasmo do género…

– O Tom Hardy merece o Óscar!
– Domnhall Gleeson… atenção a este actor, minha gente!
– Não sei se o Leonardo DiCaprio ganha o Óscar ou não, mas depois desta interpretação, não sei que mais pode ele demonstrar. Se conseguir fazer ainda mais… já nem sei que pensar deste senhor.

Vamos então começar. The Revenant – O Renascido conta a história – inspirada em factos reais – do explorador Hugh Glass que viveu na época de 1820. Uma época em que as terras índigenas eram invadidas por americanos e franceses e havia uma luta agressiva pelo comércio de peles. As tribos nativas acabavam por se sujeitar às constantes invasões, furtos e maus-tratos, por vezes, sucumbindo também à troca de peles por outro tipo de mercadorias como forma de tentarem evitar mais mortes e mais perseguições por parte dos soldados. A exploração das terras e dos seres humanos é gritante.
É nesta expedição concreta que conhecemos Hugh Glass e o seu filho de origem índigena, fruto de uma relação que Hugh teve com uma mulher da tribo Pawnee. A função de Glass nesta expedição não é roubar, nem matar, nem invadir, mas servir como guia aos restantes soldados americanos pelas terras imensas e pouco exploradas da altura.
As decisões de Glass não agradam a todos, mas atingem principalmente Fitzgerald (interpretado por Tom Hardy). Desde os primeiros minutos de filme que a animosidade entre ambos é forte e transparece. Bolas! Até eu já desejava que Fitzgerald caísse de um penhasco aos primeiros momentos do filme. E para ajudar ainda mais na pouca tolerância pelo seu papel, vemo-lo a abandonar um Hugh Glass ferido no meio das montanhas, por entre outras atrocidades cometidas…

Passemos às interpretações. Tom Hardy é o típico caso de actor secundário que pode muito bem  brilhar mais que o próprio protagonista. E dado a forma como desempenhou a sua personagem, podia muito bem sê-lo. Ele encarna Fitzgerald, o verdadeiro vilão a ser odiado. Mas no outro lado do espectro temos Glass (interpretado por DiCaprio).
E permitam-me que diga o seguinte, em pelo menos duas de algumas críticas que li sobre o filme, foi comentado que os poucos diálogos de DiCaprio poderiam prejudicá-lo neste frenesim da corrida aos Óscares. E agora vou meter a minha colher… este duo (GlassvsFitzgerald) complementa-se. Porquê? Porque por um lado vemos uma crueldade, pura e crua, através das atitudes e das falas de Fitzgerald. E por outro, vemos o sacrifício, o desespero, a coragem e mais profunda resiliência em tudo o que Glass manifesta.
E a maneira como ele transparece tudo isso, seja através de um olhar, de um respirar ofegante, de um grunhido de raiva ou de dor… nada disso precisa de palavras.
E é por isso que DiCaprio deve ser valorizado, porque tentar transmitir toda uma espiral de tormentos sem usar palavras não é fácil. Cabe-nos a nós, espectadores, conseguir captar tudo e sofrer tanto quanto ele. Posso dizer, que isso pelo menos aconteceu comigo.

Outro aspecto de que devo falar é da realização. Confesso que sou um pouco leiga nestes aspectos mais técnicos, mas eu vi “Birdman” e acho incrível como Iñárritu consegue mostrar dois universos tão díspares entre si através da realização. Enquanto num, nos sentimos quase sempre dentro de um corredor apertado e claustrofóbico com pessoas a falar e a aparecer de todo o lado, em “The Revenant” temos uma realização que capta imagens tão vastas, tão imensas e tão infindáveis, que quase sentimos o ar e o frio tocar-nos no rosto.

Há ainda tanto para dizer sobre este filme, mas se eu me pusesse para aqui a escrever, ia acabar por filosofar. Se acho que o filme vai agradar a todos? Claro que não. Mas a meu ver, é realmente uma história marcante e inspiradora. E o suor e trabalho árduo de toda a equipa do filme chega até nós.”

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