Review: A Queda de Wall Street

Crítica por Helena Rodrigues

“O filme é realizado por Adam Mckay; na sua lista de filmes predominam as comédias como Anchorman, e a arte da boa disposição alinha de forma eficaz em A Queda de Wall Street. Esta é a história real de como um pequeno grupo de pessoas entendidas na área de negócios de Wall Street e com um olho exímio para números prevê o “rebentar da bolha” do mercado imobiliário nos Estados Unidos, e como tal, decidem apostar contra os investimentos imobiliários, o que a longo prazo, os deixou substancialmente muito, muito ricos.

O que poderia ser uma narrativa aborrecida para aqueles que pouco ou nada entendem sobre acções na bolsa ou sobre o que se passa na dita Wall Street, acaba por ser bastante explicativa e eficaz na sua mensagem, porque senti que um dos objectivos do filme era mesmo chamar a nossa atenção para um mundo obscuro e aterrorizante que existe à nossa volta todos os dias, mas que não vemos, embora nos queixemos dele todos dias.

Se nos diálogos começam a falar de siglas e termos financeiros que deixam o nosso cérebro num nó, eis que entra Margot Robbie numa banheira de espuma, um chef famoso, ou uma cantora pop para nos explicarem por palavras mais simples o que está a acontecer. Os actores falam diretamente para nós, não só como espectadores, mas como cidadãos ao estilo: “Ei, presta atenção. Vou-te explicar como isto acontece. Agora já sabes.”

Ryan Gosling, Steve Carrell e Christian Bale são os protagonistas principais, e Brad Pitt faz uma participação bastante simples e modesta, que poderia ter sido feita por qualquer outro actor.

Steve Carrell volta a dar provas do seu talento “camaleónico”. Longe vão as comédias, o Steve é capaz de fazer tudo e de mostrar os mais variados tipos de emoções, e o melhor de tudo, é que consegue levar-nos com ele. Deem um prémio a este senhor… já!

Christian Bale interpreta “Michael Burry”, um génio excêntrico com olho de vidro.
O primeiro a descobrir as incongruências, e o primeiro divulgar a sua previsão do desastre económico que estava prestes a acontecer. Todos se riram. Acharam-no louco. E muito embora, a meu ver, não sinta que tenha sido uma interpretação digna de Óscar, é sem dúvida uma interpretação que fica colada na nossa memória.

O elenco está de parabéns, e quanto à história, posso dizer que é divertida…mas que no final nos deixa com um toque amargo, com uma pequena percentagem de “deprimência”, se é que lhe posso chamar assim, quando paramos para pensar em toda a corrupção que paira à nossa volta e em todos aqueles que sobem na vida à custa dos que estão na base da pirâmide, sim, eu e tu.”

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