Review: A Modista

 

Crítica por Helena Rodrigues

“Ora aqui está um filme que não foi nada daquilo0 que eu esperava, e nem sei se digo isto no mau ou bom sentido, porque no final fiquei sem saber se tinha gostado ou não… Vamos por partes:

Myrtle ‘Tilly’ Dunnage (Kate Winslet) regressa à sua terra natal de Dungatar, uma pequena vila rural situada no meio de nenhures, algures por terras australianas. O ambiente é árido, fazendo lembrar um western enquanto Tilly chega no seu vestido Dior. Ela traz consigo um passado traumático e doloroso que esconde uma verdade que ela apagou da memória, e agora, quer descobrir o que realmente lhe aconteceu.

O início promete suspense e mistério, e aos poucos vamos conhecendo os habitantes peculiares de Dungatar, que ficam alarmados com o regresso de Tilly. O que supostamente começa por ser um plano vingativo de Tilly para pagar na mesma moeda tudo aquilo que a fizeram sofrer em criança, torna-se confuso, visto que o seu plano maquiavélico resume-se a criar vestidos elegantes para as mulheres da vila… Para além de ser uma péssima vingança, o filme segue por um caminho diferente, segue por uma vertente cómica que chega a roçar o ridículo. Imaginem uma vila rural a cair de podre em que as mulheres passeiam pelas ruas de pó envergando vestidos de haute-couture.
Os flashbacks da infância de Tilly vão reaparecendo ao longo da narrativa para nos fazer lembrar que ainda há um mistério para resolver. Mas enquanto isso, há que incitar o romance (porque como o Liam Hemsworth faz parte do elenco, aparentemente é obrigatório haver uma situação de romance).
E de repente acontece algo dramático. E a Kate Winslet que conhecemos aparece, no seu melhor, dando uma interpretação credível, deixando-nos comovidos, partilhando a sua dor. É nesta parte do filme que seguimos por uma vertente dramática. E por momentos julgo que a determinada altura o mistério irá resolver-se, fechando-se o arco da narrativa.
Nada disso. Depois do ambiente western, cómico e dramático… voltamos a um ritmo alucinante, correrias, vestidos glamour gritantes, cores vivantes a contrastar com um ambiente amarelo, seco e aborrecido… e de súbito, o que é aquilo? Comédia negra lá pelo meio? Eish…também não esperava essa!

O elenco tinha tudo para fazer desta história, uma história bonita, inspiradora, com uma nota divertida. O passado misterioso de Tilly tinha tudo para fazer disto um suspense invulgar, mas bem conseguido. Mas com tantos géneros e ritmos diferentes ao longo do filme, é difícil acompanhar, parece uma narrativa bipolar. Ainda assim, não posso dizer que não gostei… mas também não posso dizer que adorei.”

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