Review: Creed

Crítica por André Gomes

“Apesar de parecer apenas um remake com um novo protagonista, Creed não é nada disto, pois traz um personagem com as suas próprias características, com os seus próprios desafios e dificuldades e com uma linguagem nova, mas que traz tanta emoção quanto o primeiro filme do “Garanhão Italiano” de 76.

Rocky mostrava ser um homem comum a viver o sonho americano e a lutar para crescer na vida. Enquanto este filme traz alguém que recebeu as oportunidades na mão, mas largou tudo para ganhar o que é seu por mérito e ser aquilo que nasceu para ser.
Adonis Creed é um jovem habituado a resolver com os punhos os problemas nas diversas instituições de reinserção por que passava. Até que é resgatado pela madrasta, a ex-mulher do pai Apollo que o recebe na sua mansão. Vê-lo-emos mais tarde, como um bem-sucedido, um tecnocrata financeiro que decide trocar o seu emprego por uma carreira de pugilista.
E encontra no mais temível adversário do pai a figura de um desejado mentor, talvez como uma forma de exorcizar o passado do progenitor com quem não viveu. Nesse aspecto não deixa de ser curiosa a cena em que Adonis enfrenta a imagem do pai num clip do youtube que mostra o combate decisivo entre Rocky e Apollo.

Aliás, fica bem a Stallone o seu lugar secundário e discreto como reformado pugilista, agora gerente do seu restaurante, depois da morte da sua mulher Adrian e do seu amigo Paulie. Ele acabará por aceitar treinar Adonis “à maneira antiga”, fazendo-o apanhar galinhas como forma de lhe dar agilidade e temperar o “mau” feitio.
O inevitável elemento feminino surge na figura da artista de hip hop do seu bairro, Bianca (Tessa Thompson) responsável pelo seu equilíbrio emocional.

Quando o nome de Creed é associado ao de Rocky depressa se levanta o desafio de um adversário temível, o britânico Ricky Conlan (o pugilista Tony Bellew).  Teremos então não um combate, não uma força de vontade, mas duas. E será aqui que o derradeiro cliché, os calções do pai, servem de amuleto para o combate de uma vida.

Michael B. Jordan surpreende como actor principal a0 desempenhar um bom papel dentro do género de filme que é. Stallone esteve impecável no seu papel, demonstrou bem cronologicamente a “vida” de Rocky Balboa.
Neste filme está mais sábio, mais experiente, reformado do ringue, mas ainda com muita astúcia e com muito para ensinar. Gostei das expressões faciais que demonstrou perante as situações no filme. Stallone no meu ponto de vista demonstrou bem mais a sua veia artística como actor secundário do que como actor principal.
Este Rocky está cativante, tanto que o seu discípulo também acaba por transmitir isso mesmo, pelo facto da amizade, pelos laços criados entre os dois e pelo ensinamento de vida que Rocky soube passar para ele.

Como poderia falar de um filme de boxe sem falar das cenas de luta. Além de muito bem filmadas e coreografadas têm uma excelente trilha sonora. O realizador Ryan Coogler fez um grande trabalho. Filme para passar uma boa sessão de pipocas.”

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