Review: E.T

Crítica por: Helena Rodrigues

“Desta vez fui buscar uma recordação ao baú, e foi graças ao canal AMC que transmitiu um dos meus filmes favoritos em criança, e comprova-se, em adulta também. Lembro-me das primeiras vezes que vi o filme na minha VHS, já não me recordo se tinha legendas brancas ou amarelas, só para terem uma noção do tempo que passou…

Com música penetrante de John Williams começa o filme E.T, a história de um ser extraterrestre que vem visitar o nosso planeta, mas que acidentalmente é deixado cá pela sua família. O E.T vai deambulando por uma pequena cidade e encontra refúgio na casa de Elliot, um rapaz que vive com a mãe e os dois irmãos, filho de pais separados .
Elliot encontra o E.T, e entre os dois dá-se uma ligação muito especial. Provavelmente por ter sido o seu primeiro contacto com um ser humano, E.T comunica com o seu novo amigo através de sentimentos. “Ele comunica através do Elliot.” “O Elliot consegue ler-lhe os pensamentos?” “Não, o Elliot sente o que ele sente.

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Com uma narrativa que se centra fundamentalmente nas crianças e neste ser que vem do espaço, todas as outras personagens são quase vultos no filme, pessoas sem rosto.
O professor durante a aula de ciências, ouvimos apenas a sua voz, os típicos homens de negro que andam à procura do E.T, são filmados de costas ou contra luz. Os polícias da cidade aparecem por breves instantes à luz do dia, mas as roupas e os óculos que usam conseguem torná-los apenas em “manequins”, quase como adereços que servem apenas o propósito de serem considerados os “vilões”.

Esta é uma história de amizade que transcende o nosso planeta e até o universo. E muito embora seja a história de um extraterrestre, é talvez das explicações mais humanas para o significado de amizade a que podemos assistir.O filme é uma combinação auto-biográfica com ficção científica, dado que Spielberg já tinha na calha uma história inspirada na sua própria vida numa altura em que os seus pais também se divorciaram.

Para mim, E.T é o poder de transformar os nossos desejos e imaginações que temos em criança e transferi-los para o cinema, como quem diz: “E se isto acontecesse mesmo?”.
Quando éramos crianças, sonhávamos com coisas impossíveis, mas não parávamos de sonhá-las. Íamos até à Lua, abríamos os braços e podíamos voar, tínhamos poderes… havia magia! E o Steven Spielberg tem um poder inato de transformar todos estes pedaços da nossa imaginação em algo “quase” real, mas com uma mensagem humana bastante forte.

ET1

“Eu estarei aqui.”

E na verdade, ainda estás. Obrigada, E.T.