Review: Room

 

Crítica por: Helena Rodrigues

Room ficou no topo da minha lista de filmes. Porquê? Porque é uma história que nos prende não só pela situação que nos é esfregada na cara (sendo infelizmente uma das mais puras das realidades na sociedade atual) mas também pelos diálogos francos, crus e reais de dois seres humanos que se encontram na mesma situação, mas que a encaram de modos diferentes.

Joy é raptada aos 17 anos e mantida presa pelo seu captor durante 5 anos num pequeno anexo nas traseiras de uma vivenda, espaço esse que tanto Joy e o filho Jack apelidam de “quarto”. Jack é fruto do abuso sexual do seu captor, mas em momento algum vemos Joy a renegá-lo, muito pelo contrário, só vemos amor e protecção de mãe. Jack, que foi criado naquele quarto não conhece outra realidade. Não sabe distinguir o que é real e o que é imaginário. Não entende o que é o mundo lá, mas não precisa, pois ali naquele sítio tem tudo o que precisa: a sua mãe.

'Room' is a journey out of darkness, director says

O filme sofre uma viragem tremenda e repleta de tensão quando Jack tem a oportunidade de sair para fora do quarto com a missão de salvar a sua vida e a da sua mãe. E tal como ele, também nós saltamos de um espaço seguro (na perspectiva da criança) para um mundo vasto cheio de sons, cores, pessoas, caras, risos, abraços, discussões e gritos. É neste rebuliço do quotidiano que vivemos, desde o momento em que acordamos até ao momento em que nos deitamos e já estamos habituados a ele; mas o que torna o filme impressionante é o facto de experienciarmos este novo mundo através dos olhos de uma criança que começa a ver o mundo tal como ele é pela primeiras vez, experienciando novas e estranhas emoções.

room 2

Tal como Jack, somos preenchidos por frenesins assustadores e desesperamos rapidamente que o silêncio retorne, queremos que tudo o que é ruim neste novo mundo desapareça, queremos voltar ao nosso pequeno quarto, solitário, onde ninguém nos toca. Mas aprendemos que neste universo nem tudo é mau e nem tudo é assustador. Há tanta riqueza nos laços que criamos que acabamos por aprender e crescer a um ritmo que não julgamos ser possível.

Um filme, que para mim, podia ter levado o Óscar para casa este ano.”

Crítica por: André Gomes

“É impossível ficar indiferente a este Room, especialmente por nos fazer adoptar a visão do mundo e a perspectiva inocente dos acontecimentos de uma criança de 5 anos. Vou tentar contar o menos possível, pois acredito que uma das razões pelas quais este filme teve um impacto positivo sobre mim foi precisamente a minha falta de conhecimento prévio.

“Jack”, interpretado pelo pequeno Jacob Tremblay, um menino de cinco anos, vive com a mãe “Joy”, interpretada por Brie Larson num pequeno quarto em condições precárias.
Jack tem o cabelo super comprido, confundido até com uma menina, ainda é amamentado, e dorme dentro do armário.

Logo se percebe que eles não estão lá por opção, Joy foi sequestrada e está desaparecida há anos, Jack nasceu ali, dentro daquele quarto que ele acredita ser a única coisa que existe no mundo. Ele não tem absolutamente nenhuma ideia de que existe um “lado de fora” atrás da porta.

Jacob Tremblay faz um papel espectacular comparando a sua idade ao seu desempenho,
foi 5 estrelas, o miúdo se continuar assim terá um futuro risonho com toda a certeza.
É inevitável sentir pena e compaixão por ele. Ele é tão ingénuo e alheio às coisas más e boas que acontecem no mundo que é impossível não gostar dele.

Quem também tem desempenho sensacional é Brie Larson. Ela é a favorita para vencer o óscar de melhor actriz. É mais do que merecido, Brie Larson interpreta Joy e ela tem a força e coragem de uma mãe que faz tudo para proteger o filho do terror que ela passa em cativeiro e para convencê-lo a lutar pela liberdade. Ao mesmo tempo mostra medo e um sentimento de total deslocamento no contacto com um mundo, que não é mais seu há sete anos. É o amor pelo filho que a faz continuar a lutar.

A simplicidade de Room é a chave para ser tão profundo, tão genuíno, tão emocional.
Aqui não há efeitos especiais, o único ingrediente especial é o amor entre mãe e filho.

A história de Jack e Joy, reflete um sentimento puro, capaz de reforçar aquela velha ideia de que somos pequenos demais num mundo tão grande. Toda a energia emocionante e bonita transmitida pelo filme não aconteceria sem as excelentes actuações de Jacob Tremblay e Brie Larson. Limita-se a um espaço pequeno, mas aspira a coisas muito grandes.
No quarto ou na sala, seja onde for, vale a pena assistir.”

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