Review: Pan

 

Crítica por: André Gomes

“Existem pontos interessantes nesta nova visão de Pan, algumas influências da cultura pop podem ser notadas ( quando os piratas celebram com músicas da década de 90, é impagável, um dos melhores momentos do filme pra mim!). O visual dos actores é excelente, fazendo lembrar o grupo Cirque du Soleil com um show de cores que salta a olhos vistos e deixa a Terra do Nunca realmente mágica, afinal é o mínimo que se espera dos efeitos especiais de hoje em dia, né? Temos mais uma vez o clichê do “escolhido pela profecia” e a criança que vivia numa realidade onde não era nada, para se tornar importante num mundo novo.

A história passa-se no período da Segunda Guerra Mundial. Peter é deixado à porta de um orfanato de Londres em bebé pela sua mãe e 12 anos depois começa o início da sua identidade… Um dia, ele e várias crianças são sequestradas por piratas num navio voador, que é perseguido por caças do exército britânico. O Navio consegue escapar e ruma até à Terra do Nunca.

Com a mítica Terra do Nunca em mãos, Wright não se limitou a simplesmente replicar conceitos e ideias já vistos em versões anteriores do filme. Por mais que estejam lá elementos como o crocodilo, Tic-Tac, as sereias e as fadas, todos foram recriados de forma que sejam reconhecidos, mas não sejam exactamente iguais à figura presente no imaginário colectivo. Mais do que isso: Wright sabe bem que a sua função primordial neste filme é entreter o espectador. Com domínio absoluto do material que tem em mãos o realizador solta a imaginação em sequências surpreendentes e visuais extravagantes.

Este “novo” Peter Pan é sem dúvida menos “rebelde” do que as outras versões, ele é um rapaz que procura a qualquer custo um encontro com a mãe que não conhece.
Peter Pan é interpretado por Levi Miller, que encarnou maravilhosamente bem um jovem puro e inocente.

Hugh Jackman está irreconhecível como Barba Negra, muito bem caracterizado. A sua actuação é bem caricata, histérico, eufórico e teatral, mas isso faz parte da essência do seu personagem.

E o Capitão Gancho está como conhecemos dos filmes anteriores? Não! Nesta versão,
Hook é interpretado por Garret Hedlund, nós temos um Hook, charmoso e galã, ao estilo de Indiana Jones, e desta vez Hook não é vilão.
Ainda no elenco, contamos com a participação de Rooney Mara, Cara Delevingne
e Amanda Seyfried.

Pan é um filme que impressiona principalmente pela proposta estética e pelo domínio demonstrado pelo realizador ao construir este mundo de fantasia tão envolvente e tão ousado. Prova do talento de Joe Wright e também do quanto compreende a posição deste filme dentro da indústria cultural de Hollywood. Muito bom.”

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