Crítica:Batman vs Super-Homem: O Despertar da Justiça

Crítica por: Helena Rodrigues

“Ding Ding Ding!

No canto preto temos Bruce Wayne aka Batman, um homem que já ultrapassou o seu pai em idade, um homem soturno, triste e cansado… Mas não é cansado do género “Ai, não posso correr mais, esta dor de burro!”, é mais cansado no estilo “Estou farto de aturar estas m*****”.
No canto azul e vermelho temos Clark Kent aka Super-Homem, um extraterrestre em forma humana que ainda sente dificuldade em se integrar num mundo que não é seu, principalmente quando a sua presença na sociedade começa a ser posta em causa.
Um deles quer provar que é cheio de boas intenções, o outro não precisa nem nunca sentiu a necessidade de provar nada a ninguém.

Depois da batalha épica e totalmente destrutiva entre Super-Homem e Zod  no filme Homem de Aço é importante relembrar que houve consequências. Uma delas afectou
Bruce Wayne a nível pessoal e é por isso que ele se compromete a pôr um travão neste ser poderoso, que a seu ver, é potencialmente perigoso para a humanidade. O “Batman Ben” consegue distinguir-se bastante do “Batman Bale”, porque este Batman já viu muita coisa, já anda nas trevas há demasiado tempo e a sua alma está mais negra que antes.
Sim, o tom é mais tenebroso e isso é visível na forma como ele opta por aparecer… do nada…com luzes tremeluzentes e assustadoras. E agora, até faz questão de marcar os criminosos…peninha, peninha! É o que eu digo… “…cansado de m*****.”

A luta entre estes dois super-heróis vale a pena. Se foi uma cena muito demorada ou não, não sei, só sei que fiquei satisfeita com ela. Como todos sabemos, Batman não tem super-poderes e é interessante ver o seu jogo de estratégia para tentar derrubar o homem mais forte do universo. O que é igualmente curioso, é que apesar deste confronto, praticamente alimentado por forças do mal (coff coff… Lex Luthor…) os dois homens têm algo em comum. Têm uma mágoa em comum. Têm ainda dentro deles um amor que se torna a barreira invisível entre as suas acções morais e imorais.

Amy Adams regressa como Lois Lane e neste filme teve mais espaço para se dar a conhecer e para brilhar. Gal Gadot apresenta-se como a “Mulher Maravilha”, misteriosa o quanto basta, aparecendo no momento certo para mostrar o que vale, abrindo o apetite para o que podemos esperar no seu próximo projecto a solo. E isto leva-nos para os restantes personagens que tiveram uma breve, mas necessária apresentação, sendo que este filme serve de rampa de lançamento para os outros filmes futuros. Sim, talvez sejam demasiadas histórias num enredo só, mas não me chocou.
A apresentação das novas personagens teve o seu momento certo no filme.
Acredito que para alguns fãs possa parecer que estão a ser simplesmente atiradas para a história de forma forçada e talvez assim seja, na perspectiva dos grandes entendidos das Comics, coisa que não sou, por isso confesso que não me causou qualquer “urticária”, aliás, provocou mais curiosidade sobre o que ainda está para vir.

Mas é claro que tentar juntar tantos enredos e futuros enredos num único palco traz consequências, atrevo-me a dizer que o mais lesionado pode muito bem ter sido Jeremy Irons. Ali está um Alfred que não conseguiu brilhar ao mesmo nível do “Alfred Caine”.
As interações entre ele e o seu menino Bruce não foram muitas e foram sempre muito sérias. Sentiu-se que era suposto haver ali algum humor, mas não foi o suficiente para quebrar o gelo.
E quanto ao humor no filme em geral, uma piadola ali e acolá, um momento mais divertido ali ao virar da esquina, mas de resto não esperem piadas “charam” ao estilo Vingadores.
Isto não é para rir, não não, a história destes senhores é muuuito séria…😉

Ah, falta ainda falar do Lex Luthor do Jesse Eisenberg. Não sou fã do Eisenberg. Vê-lo como Lex Luthor no filme ou vê-lo numa entrevista no Conan O’Brien é quase igual.
Aquele jeitinho nervosinho e maneira de falar apressada ao estilo Woody Allen sempre me fez confusão, mas… aceitei-o como Lex! Um vilão excêntrico, que pode parecer que não vale a pena dar-lhe troco…mas é com os psicóticos que temos de nos preocupar mais.

Em termos visuais, lamento, mas não posso aprofundar-me muito nesse campo. Este mês foi preciso poupar uns trocos e vi o filme no velho “2D”… e sim, o cinema estava cheio.
O 2D ainda está vivo.

Acho que vou ficar por aqui. Posso apenas acrescentar que fiquei satisfeita por esta jornada de antecipação ter seguido no caminho completamente oposto da maioria dos espectadores. Eu estava com tanto receio deste filme porque A) (não havia Bale) e B) não sou fã do Super-Homem, e no entanto as baixas expectativas resultaram na maravilha! Gostei, foi entretenimento, e pude apreciar uma boa luta do Homem-Morcego a dar cabo do coiro dos criminosos apenas com a sua perícia e inteligência sem qualquer poder extra, à moda antiga.

Team Batman 4ever!”

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