Review: Sicario

 

Crítica por: Helena Rodrigues

“Sicario leva-nos até ao mundo negro e bastante real do tráfico de drogas.
Começamos na ponta do icebergue, quando nos é apresentada uma agente do FBI
(Emily Blunt) que investiga casos de narco traficantes, até que “tropeça” em assuntos que vão muito além da sua compreensão e autoridade.

Emily Blunt faz um papel diferente daquele a que estamos habituados a ver no ecrã.
A actriz prova que consegue fazer muito mais do que simples papéis românticos, ou até mesmo, papéis em filmes de acção ou sci-fi. Senti que a conheci melhor como profissional com esta sua interpretação. Trata-se de uma personagem que exige  sensibilidade e muita maturidade para o tipo de profissão a que se dedica, e no entanto, alguém que ainda tem muito a aprender sobre o que realmente se passa, ou seja, o que está muito além daquilo que os seus olhos vêem.

Para ajudar numa investigação cujo “endgame” é chegar à cabeça da cobra, à base do icebergue, àquele que lidera o mundo das drogas e do crime no México, temos Benicio Del Toro. E o que há mais a dizer sobre este senhor? Desde o primeiro momento em que ele entra em cena, até ao seu último take, a história é dele – e não sabemos bem como, nem porquê, mas sentimos que a história lhe pertence. Assim como este papel, sem dúvida.
A sua personagem conhece muito bem o mundo em que estamos prestes a entrar e as pessoas que nele vivem. Ele é o oposto de Emily no filme. Ele é aquele que sabe que é preciso sujar as mãos, fechar os olhos, silenciar intervenientes e ocultar verdades para sobreviver nesta realidade.

O filme começa com um ritmo lento, mas não cansativo. As paisagens áridas do México trazem essa lentidão, mas no entanto não torna o enredo enfadonho. Pelo contrário, a maneira como se vai construindo a apresentação da cidade de Juarez faz-nos temer o local antes mesmo de o conhecermos. E nos breves 10 ou 15 minutos em que nos é dada a oportunidade de vislumbrar apenas um pouco daquilo que a cidade “oferece” ficamos a pensar que nunca na vida queremos lá pôr os pés. É outro universo. E de cor-de-rosa, garantidamente, não tem nada.

Josh Brolin também integra esta equipa de intervenção e a sua personagem serve de intermédio entre Emily Blunt e o mundo que ela não quer conhecer. É ele que nos explica e relata aquilo que vemos, aquilo que não podemos combater, e as formas menos claras a que devemos recorrer se quisermos que alguma coisa seja feita, legalmente ou não. A chamada “área cinzenta” onde acontece tudo… mas não acontece nada.

Sicario retrata de forma bastante intensa e sem piedade um mundo lá fora que muitos de nós julgamos não existir, ou que apenas fingimos que não existe. É um filme que faz suar a palma das nossas mãos e deixa-nos tensos até ao final da história. É um filme que não se preocupa em retratar bons ou maus – ou aqueles que nem são uma coisa nem outra. O ecrã fica negro e damos por nós a pensar se o que vimos foi justo ou não, ou se não havia sequer uma terceira hipótese. O problema é que nestas realidades que ignoramos não há correto ou errado. Há vida e morte, apenas.”

 

VER TRAILER