Review: Money Monster

Crítica por: Helena Rodrigues

“George Clooney interpreta a personagem “Lee”, um apresentador de televisão famoso pelo seu programa focado na temática de investimentos, acções e Bolsa. Neste programa, de nome “Money Monster”, Lee informa os telespectadores das empresas que estão a crescer e a decair e influencia o seu público no que diz respeito aos seus investimentos.
O programa em si, achei-o um pouco “tolo”, mas talvez as palhaçadas e a pouca seriedade com que é apresentado fosse uma forma de chegar a um número elevado de público, tanto os que percebem da matéria como os que percebem pouco, ou talvez, até fosse uma sátira aos programas financeiros em geral e ao impacto que os mesmos têm nos media.

A trama toma lugar assim que um cidadão comum invade o estúdio e faz de Lee refém, acusando-o de o ter iludido, levando-o a investir todo o seu dinheiro numa empresa que por motivos desconhecidos perdeu 800 milhões de dólares.

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O pânico nunca chega a instalar-se verdadeiramente ( e estou a falar como telespectadora), porque a personagem de Clooney não permite essa profundidade dramática. Vemos um apresentador que começa por parecer um “coitadinho”, momentos depois já está a enfrentar o seu atacante com umas piadas e a seguir parece ganhar uma outra perspectiva de vida e bondade… Enfim! Uma suposta evolução de personagem em três tempos que mal conseguimos acompanhar. Infelizmente não consegui desligar-me de Clooney durante a  sua representação.

Do outro lado do auricular e na régie temos uma Julia Roberts num papel ao qual ela já está mais do que habituada. Não traz nada de novo. É uma colega de trabalho, que começa por estar farta do emprego que detém e depois de todo este acontecimento dramático também tem um “change of heart”. Não houve ali nada que me fizesse prender à cadeira ou me fizesse suster a respiração. Mais uma vez, só vi a Julia.

Mas apesar de não ter ficado encantada com as personagens, posso dizer que de um modo geral até gostei da história. O cidadão louco, interpretado por Jack O’Connell é convincente e os seus motivos são transparentes. A cena que ele tem com a namorada é uma das melhores do filme. O que vale a pena também é ver toda a equipa de produção num verdadeiro empenho de investigação para descobrir o que aconteceu aos 800 milhões desaparecidos. Jodie Foster consegue criar cenas inesperadas no meio de uma premissa um pouco previsível. Além disso, o argumento chama a atenção para algo que acontece todos os dias diante dos nossos olhos, e que infelizmente só nos damos conta quando nos calha a nós. Mais uma vez, tal como em “A Queda de Wall Street”, somos alertados para o que acontece por detrás das cortinas financeiras que gerem os nossos investimentos.

Jodie Foster realiza um bom filme de entretenimento combinando drama, ação e humor com algumas cenas bem conseguidas e cativantes, mas no seu todo não é um filme que eu quisesse guardar na lista para rever. Lamento, Jodie!”

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