Review: 10 Cloverfield Lane

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crítica por: Helena Rodrigues

“Fui das poucas pessoas que não se deslumbrou com o filme “Cloverfield” de J.J Abrams no ano de 2008. Mas eu tenho um certo desagrado no que toca a filmes cujas imagens são feitas através de uma “handy cam”. Dito isto, e alguns anos depois, eis que surge “10 Cloverfield Lane”. Seria mais do mesmo? Seria uma continuação do filme que eu não gostara? A verdade é que começaram a chover críticas brilhantes ao mesmo. Fui lendo aqui e acolá algumas opiniões, e algumas diziam que era um filme à parte de Cloverfield, uma história paralela, talvez.
Não era uma sequela, talvez uma prequela… As informações não eram muitas, porque para manter o mistério não havia muito que pudesse ser revelado.

O trailer atraiu-me bastante. A ideia de algumas pessoas dizerem que o ambiente era quase claustrofóbico ajudou a cativar o meu interesse. Imaginei um filme cheio de tensão e suspense. E foi isso que obtive quando comecei a vê-lo.

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Michelle sai de casa um pouco à pressa. Faz as malas, mete-se no carro e parte. Não sabemos bem para onde, nem porquê, mas sabemos que ela está a fugir ou a tentar escapar de algo ou alguém. Nota-se alguma insegurança durante a sua viagem noturna. Estará a ser perseguida por alguém? Na rádio ouvem-se notícias de que há cortes de energia por todo o lado. Alguma coisa se passa … e de repente dá-se o acidente. Depois disso, vemos Michelle a acordar num quarto, sozinha, semi despida e presa.
Howard é o homem que diz tê-la salvado do acidente de carro. Diz que a levou para o seu “bunker” privado para a ajudar, e que dali eles não podem sair porque o mundo lá fora está um caos e há pessoas a morrer.

A pouca informação que Howard dá é crucial. Faz o espectador pensar. Ele está a mentir ou a dizer a verdade? John Goodman está excelente no seu papel críptico. Tal como Michelle, não sabemos se devemos confiar nele ou não. O mistério adensa-se. Será que Michelle deve tentar sair do “bunker” e arriscar a sua vida lá fora? Que tipo de perigos há no exterior? Será que os há sequer?
Michelle não é a única a usufruir do abrigo de Howard. Há mais um hóspede.
Mais uma peça no puzzle.

A figura sinistra de Howard começa a revelar mais detalhes do seu passado.
O thriller é envolvente neste ponto. Começamos a ficar tensos e chegamos mesmo a pensar que o melhor é “sairmos” dali rapidamente. Vemos uma Michelle determinada e corajosa. Muito diferente daquilo que ela transparece nas cenas iniciais do filme. Sim, a tensão e o mistério conquistaram-me minuto a minuto. Quanto mais se descobria sobre aquele “protector” misterioso, mais eu rangia os dentes e fechava os punhos e depois… os últimos minutos de filme!

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Os últimos minutos foram para mim, uma história completamente diferente. Lembrei-me que estávamos a falar de J.J Abrams. Lembrei-me que ele não podia apenas seguir a linha de narrativa que eu tanto esperava. E mais não posso dizer…

Senti-me completamente iludida no final, mas só tenho a mim a quem culpar. Entrei numa fase de negação. Não quis ver o que já sabia que por aí vinha…
Dou nota máxima antes do final do filme!

Quem gostou de “Cloverfield” não vai sair desapontado de certeza. A ligação entre as duas histórias está muito bem feita, e apesar do meu desgosto, admito que faz sentido.

Damn you, Abrams!!!!

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