Review: Amor Eterno

Crítica por: Helena Rodrigues

“Só tendo apenas visto o trailer, sem me inteirar completamente sobre o enredo de Eternité (Amor Eterno), o nome Audrey Tautou foi sem dúvida uma das grandes razões para me sentar na Sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge para assistir ao filme que faz parte do programa da 17ª edição da Festa do Cinema Francês.

A sala estava cheia quando as luzes da sala diminuíram e começámos a ouvir os primeiros acordes de um filme que presta homenagem ao amor, à vida, à morte e à eternidade.

No início do filme é-nos apresentada Valentine (Audrey Tautou), uma de três irmãs. Rapidamente saltamos para o momento da sua vida em que ela se entrega em matrimónio ao seu grande amor Jules, de quem tem oito filhos. Os filhos de Valentine crescem, alguns morrem na guerra, outros morrem de doença e outros casam, que é o caso de Henri.

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O legado de Valentine continua quando Henri se casa com Mathilde (Mélanie Laurent) e também eles vivem a experiência de trazer ao mundo mais de meia dúzia de filhos e de sofrer com mais mortes trágicas que insistem em perseguir esta família.

Entenda-se que a mensagem do filme será a Eternidade, o legado de pais para filhos, a herança do sangue. A nossa árvore genealógica não começa com os nossos avós e bisavós, começa muito antes disso. Os nossos corpos perecem, mas a nossa linhagem é, de facto, eterna, se continuar a haver descendentes.
A mensagem é clara, bonita e poética. Porém, vê-la no ecrã não nos preenche por completo. Assistir a Amor Eterno é como ler um poema. Os diálogos são substituídos por olhares, suspiros, toques e abraços. Os cenários são idílicos, transportam-nos para um pequeno paraíso e permitem-nos respirar quando tudo o que nos rodeia é apenas o milagre do nascimento e a tragédia da morte.

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Infelizmente, no meio de tanto poema, rima e imagens calorosas e inspiradoras, ficamos à espera de algo que nunca acontece. Isto porque, a história em si, é um arco que começa, acaba e recomeça. Representa simplesmente a vida e a morte que marca presença nesta família ao longo de três gerações. Estamos perante uma eterna continuidade. Suponho que tenha sido essa uma das mensagens do realizador Tran Anh Hung com o filme, porém, não podemos esperar mais do que isso.

O amor das mães pelos seus filhos está sempre lá, numa presença gritante. Seja no momento em que eles nascem, enquanto brincam e até mesmo quando dão o seu último suspiro. Com um elenco de luxo, esperava conhecer melhor as personagens, mas nem a isso temos direito quando a própria narradora nos impede de divagar ao dizer frases como: “Não se sabe do que conversaram naquele dia. Agora já estão todos mortos”. Ou seja, não importa o que aconteceu, a vida deles já terminou, e outras vidas recomeçaram entretanto, mas o espectador não tem a oportunidade de abrir uma porta e descobrir mais sobre eles.

Senti que entre o foco no nascimento e o foco na morte, faltou algo intermédio,
a vida em si.

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