Review: Cézanne e Eu

Crítica por: Cátia Alexandre
Site: May The Cinema Be With You
“Dando um saltinho até ao Impressionismo e Realismo francês do século XIX, encontramos Cézanne e Eu, realizado por Danièle Thompson, mostrando o lado um pouco mais intimo da amizade entre dois importantes artistas franceses, Paul Cézanne e Émile Zola. Infelizmente o filme contém demasiados elementos para serem descortinados em tão pouco tempo.
Esta é uma história de amizade, mas também de grande rivalidade entre dois grandes artistas que marcaram a cultura francesa de forma significativa. Paul Cézanne (Guillaume Gallienne) pintor fundador da arte moderna e Émile Zola (Guillaume Canet) escritor líder do movimento literário naturalista no século XIX, dão inicio a uma forte amizade desde muito cedo, compartilhando tudo um com o outro. Cézanne tem a riqueza, mas a falta de oportunidade para triunfar. Zola não tem nada, mas a vida sorri de forma a dar-lhe o reconhecimento e a fama que o amigo sempre quis e nunca foi capaz de alcançar. Vamos observando estes homens, que vão enfrentando desafios ao longo do tempo, testando o valor da verdadeira amizade. Os amores de desamores de um pintor e um escritor que na verdade competiam a toda a hora, mas se amavam como irmãos.
As performances de Guillaume Canet e Guillaume Gallienne, são ambas muito boas, destacando um pouco mais a interpretação de Gallienne e um Cézanne verdadeiramente interessante, intrigante, divertido, por vezes até irritante. A química entre os dois é notória, mas é no que toca à estrutura da narrativa que encontramos os maiores problemas. Não há dúvida nenhuma que esta amizade está retratada de forma emotiva e sentida, que nos faz criar empatia imediata pelos dois personagens centrais, mas falta detalhe a muitos dos momentos mas significativos desta história. Repleto de belíssimas paisagens, guarda-roupa e cenários que realmente nos transportam até ao século XIX, parece por vezes demasiado longo, ao dar ênfase a situações menos relevantes, e deixando para trás muitas outras que mereciam mais profundidade.
Chegamos ao final de Cézanne e Eu um pouco insatisfeitos, de certo encantados com as performances, mas com a certeza que tudo o que vimos merecia uma abordagem e dinâmica diferentes.”
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