Review: Toro

Crítica por: Helena Rodrigues

Fez parte da programação do Cine Fiesta deste ano.

“Toro”, do realizador Kike Maíllo, conta a história de um ex-criminoso que pretende começar uma nova vida após passar cinco anos preso por um trabalho que não correu bem, terminando na morte do seu irmão mais velho.

O actor espanhol Mario Casas interpreta Toro, o protagonista, a “cara bonita” da história.
O criminoso que se cansa da vida da corrupção e homicídios e pretende integrar a sociedade como uma pessoa normal. Apesar de ter como obrigação apresentar-se todas as noites na prisão, Toro vive uma vida pacata durante o dia como motorista, conciliando-a com uma relação estável e promissora.

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A dois meses de ficar completamente livre, Toro recebe uma visita inesperada do seu outro irmão López, que deve dinheiro a um dos nomes mais temidos de Andaluzia, Romano.

A premissa torna-se demasiado previsível. Ex-criminoso, prestes a ficar livre, resolve sacrificar-se para ajudar o irmão a escapar ao destino cruel que o espera nas mãos de um vilão que, apesar de ter aspecto de ser avô de qualquer um de nós, gosta de usar uma arma secreta no seu antebraço, como se fosse alguma espécie de ciborgue, mas é apenas um gosto pessoal.

O que falha no argumento é uma razão plausível e justificável para que Romano queira persegui-los e matá-los a todo o custo. A única razão apresentada é o facto de Toro e o irmão, num acto de vingança pouco ambicioso, decidirem roubar ao “avô” o dinheiro que ele guarda ingenuamente num cofre. O que aconteceu às contas offshore nas Ilhas Caimão? Se Romano, um dos maiores nomes corruptos de Andaluzia, faz tremer todos os que lhe aparecem pelo caminho, e se ele consegue fazer com que todos caiam a seus pés com medo de represálias, o que levou os dois irmãos a pensarem que alguma vez sairiam ilesos com um simples roubo?

Apesar deste aspecto mais ingénuo da trama, existem momentos com um certo toque de violência poética para quem gosta do género. O realizador não foi pudico a mostrar rostos desfeitos e laivos de sangue no chão e paredes sempre que surge a oportunidade.
Há que ressalvar que aqui, a faca é a “rainha” e as balas nunca são a primeira escolha.

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Na história existe também uma sobrinha já mais que habituada a viver uma vida sem regras, sem moral e sem medos. No meio de tanto sangue e raiva, há uma vontade ténue em mostrar um rosto inocente que ainda vai a tempo de ser salvo.

Reviravoltas há poucas. O final não é muito difícil de adivinhar. Entre cenários com cores vibrantes e um calor que nos remete para as ruas espanholas em pleno verão, “Toro” podia ser muito mais se o enredo não se tornasse tão simples.

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