Review: O Herói de Hacksaw Ridge

Crítica por: André Gomes

“A minha review de hoje é de um filme que na minha opinião estará nomeado para os Óscares deste ano. Em O Herói de Hacksaw Ridge, Andrew Garfield, dá vida ao primeiro objetor de consciência a ser condecorado com uma medalha de honra na História do exército americano. Baseado em factos reais.

Esta é a história de Desmond Doss que remonta ao ano de 1945, onde se passou a II Guerra Mundial. A II Grande Guerra é um período que sempre me fascinou profundamente, através do cinema e não só – muitos documentários que ilustram com precisão o evoluir da Guerra, especialmente na frente europeia, fazem até hoje parte da lista de documentos visuais mais cativantes que alguma vez vi.

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Alguns desses episódios já foram devidamente retratados em filmes como Pearl Harbor, ainda que aqui de forma mais ligeira; O Resgate do Soldado Ryan, aqui com uma visão dura e crua da realidade desses tempos; e dos meus preferidos deste género de filmes O Pianista e a Lista de Schindler.

Indiferentemente da forma, é uma época fascinante em que o ser humano se supera, para o Mal e para o Bem, deixando um legado que nunca deve ser esquecido.O cinema tem feito o seu papel, recuperando “heróis” e “vilões” desses tempos extraordinários.Se bem que, como é lógico nos filmes norte americanos, colocam sempre os americanos no papel de heróis, porém a história não é bem assim…Bom… Passando a frente e falando do filme em concreto…

Em nenhum momento o protagonista duvida dos seus ideais, nunca sendo transparecida qualquer espécie de conflito interior. Nascido na Virgínia, Desmond Doss era Adventista do Sétimo Dia e recusava usar ou sequer tocar em armas. Os seus princípios religiosos escoravam-se em dois episódios de violência que o marcaram, um passado na infância, quando quase matou o irmão ao dar-lhe com um tijolo na cabeça; e outro na juventude, envolvendo a mãe e o pai, um veterano da I Guerra Mundial que voltou traumatizado e posteriormente refugiava-se na bebida.

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Doss recusou ser parte activa de qualquer tipo de violência física, escolhendo pertencer aos paramédicos e assim ficou a ser o único soldado americano que foi para o inferno da frente no Pacífico sem qualquer armamento para se proteger. No final, depois de ter sido ostracizado pelos seus colegas, pelo seu aspecto físico, franzino e a forma desengonçada com que andava, subestimaram-lhe e no fim, Doss provou-se um herói quando conseguiu salvar, sozinho, mais de 70 homens que tinham ficado caídos no campo de batalha em Okinawa.

Está aqui um belíssimo filme que merece ser visto e revisto vezes sem conta. É sem dúvida uma inspiração esta história, o acto heróico de Desmond Doss, extremamente bem representado por Andrew Garfield.

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