Review: A Mãe É Que Sabe

Crítica por: Helena Rodrigues

Ana Luísa combina um almoço em família para celebrar os anos do pai. O marido, a filha, a irmã e o novo namorado brasileiro estão presentes, assim como os tios já com idade avançada e o primo que é o estereótipo do homem “tuga”. Enquanto a comida é servida na mesa, também a mente de Ana Luísa é servida de recordações do passado, vividos com a mãe que já não está presente. Submersa nas memórias de outros tempos, Ana Luísa não consegue evitar pensar nos “E ses…” ao mesmo tempo que um fenómeno paranormal começa a afectar o país, incluído ela mesma.

A comédia é realizada por Nuno Rocha e é um dos melhores filmes para completar esta época natalícia. Numa viagem pelo presente e pelo passado, ficamos a conhecer as peripécias de uma família portuguesa comum cheia de amor para partilhar. Cada uma das personagens tem uma história com que nos identificamos, se não nos identificarmos nas personagens, identificamos os nossos pais, os nossos avós e os nossos irmãos.

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A actriz Joana Pais de Brito brilha no papel de “Josefa”, a mãe de Ana Luísa e Daniela. O tom de voz, as expressões que usa – que são apenas uma maneira de dizer – e as suas clássicas preocupações maternais atingem-nos o coração e a memória; e é impossível não revermos os nossos próprios momentos do passado e sentir aquele “aconchego” – Sim, a minha mãe também me disse aquilo. Sim, a minha mãe também fazia aquilo. Filipe Vargas é o pai “Adelino” em novo e Manuel Cavaco interpreta-o já no presente. Forte adepto do futebol e do bendito Belenenses, representa a figura paternal de todos nós. Quantos vezes ouviram o vosso próprio pai dizer em surdina “A tua mãe é que sabe“, quando sabem que não há como vencer aquela luta?

Maria João Abreu é “Ana Luísa” já adulta, e é ela que nos presenteia com uma interpretação humilde e tão verdadeira, que é impossível não sentirmos o mesmo que ela sente quando se debate com aquilo que já foi e aquilo que é.

Esta reunião familiar, tão bem encenada e com diálogos tão perfeitos, consegue fazer-nos rir. É tudo tão português, tão emocional e tão sentido que nos sentimos parte da família.
E se os momentos se tornam um pouco mais sérios, puxando mais para o sentimento, levamos novamente com o “soco da comédia” no estômago com o primo Fernando que fala pouco, mas diz tanto, e com a tia São que já não tem boa memória, mas os seus comentários são sempre feitos no timing perfeito.

“A Mãe É Que Sabe” celebra sobretudo a família, num ambiente caseiro e acolhedor, sem grandes artifícios e efeitos especiais. É perfeito na sua simplicidade. Celebra a aceitação do passado e das decisões tomadas que definem o presente e as pessoas que somos.

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