Review: Assassin’s Creed

Por: Helena Rodrigues

Se é um filme de entretenimento? Sim.
Se é um filme espetacular? Não.

Callum Lynch sempre teve apetência para o risco e isso é-nos apresentado nos primeiros momentos de Assassin’s Creed. Após presenciar a morte da mãe e uma atitude fria e desprezível do pai, Callum é obrigado a fugir daqueles que o perseguem pela sua linhagem. Anos mais tarde, prestes a receber a pena de morte pelos crimes cometidos já em adulto, Cal é recrutado por uma organização misteriosa que tenciona usar a invenção Animus – que permite a Cal viver as memórias do seu antepassado – para recuperar um objeto de valor que poderá ser a salvação para o gene violento da humanidade.

Como não-jogadora de Assassin’s Creed a premissa foi fácil de acompanhar. Cal (Michael Fassbender) vê-se prisioneiro desta organização que precisa de usar o seu corpo e a sua mente, ligando-o ao Animus, transportando-o para a época da Inquisição Espanhola, onde o antepassado de Cal – o espanhol e mortífero Aguilar – é um Assassino, cuja missão é impedir a Ordem dos Templários de comandar o mundo segundo os seus fortes ideais.

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Curiosamente, o objeto tão procurado, A Maçã de Éden, contém a semente da primeira desobediência do Homem – isto de comer fruta afinal pode não ser uma ideia tão saudável quanto isso – e é com essa semente que os Templários pretendem irradicar a violência da Terra, como? Eliminando o livre-arbítrio. Hum. Perderam-me aqui. Entre acabar com a violência e impedir que as pessoas pensem e ajam por si mesmas vai uma grande distância.

Quando Cal entra no Animus e assume as memórias do seu antepassado Aguilar, a ação começa. E a ação implica muito daquilo a que os tempo modernos chamam de parkour. Seja como for, são cenas cativantes, com ritmo, luta e sangue que a mim conseguiram convencer. Dentro do Animus tudo é mais entusiasmante. Há uma missão a cumprir, um credo a defender e uma lealdade a admirar. Fora do Animus, temos uma história da qual pouco ou nada conseguimos retirar. Não havendo desenvolvimento nas personagens, não conseguimos saber ao certo o que pensam, o que sentem ou quais as suas motivações. Temos diálogos para trás e para a frente, mas não há emoção.

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Para além de Cal, existem outros prisioneiros naquelas instalações que também servem de cobaias no Animus, para lhes serem extorquirem informações dos seus antepassados. Teria sido interessante conhecê-los melhor e descobrir mais sobre as suas histórias, mas não houve tempo nem espaço no filme para isso acontecer. Limitam-se a ser personagens terciárias que no final recebem um pouco mais de tempo de antena, que não chega a ser impactante.

Michael Fassbender, Marion Cotillard e Jeremy Irons são os nomes sonantes deste filme, mas não fazem jus ao enorme talento que têm. Completamente unidimensionais e desperdiçados.

O filme termina com uma reviravolta, que também deixou muito a desejar. No final, talvez a promessa de uma continuação? Não sei se a narrativa criada em torno deste videojogo foi tão soberba ao ponto de quererem mais. Ou talvez, com tempo e dedicação, consigam reunir na perfeição todos os complementes que pareceram estar em falta neste filme para ser um bom blockbuster.

PS: Os mais entendidos no videojogo perguntaram-me se acontece o mítico salto da Torre.
Sim, o que não falta no filme são saltos e estaria a mentir se dissesse que não saltaram com estilo.”

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