Review: A Luz Entre Oceanos

Por: Helena Rodrigues

Tom vem da guerra amargurado. Após um longo período rodeado de morte, ele procura o isolamento na  ilha de Janus a trabalhar como faroleiro. Ele não esperava mais nada da vida até conhecer Isabel. Uma jovem cheia de vida, que vive sozinha com os pais após a morte dos irmãos, também na guerra. Tom procura isolamento, Isabel quer aproveitar a vida. Após sevcorresponderem por carta durante muito tempo, Tom cede à vontade de amar Isabel e de voltar a sentir-se vivo por dentro. Casam e vão viver os dois, sozinhos, na ilha do farol.

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A vida a dois parece mágica quando se está longe do resto do mundo. Os dois planeiam  constituir família e criar uma nova esperança para os seus corações magoados. Mas Isabel perde dois filhos antes de dar à luz. São dois momentos marcantes na história que Alicia Vikander interpreta na perfeição, transmitindo ao espectador a dor e o sofrimento sentidos pelo casal após a perda. Nestes dois momentos específicos que a actriz faz um estupendo trabalho a nível de interpretação física. Sem grandes falas, conseguimos sentir o seu desespero como mãe ao saber que está a perder um filho e que não há como evitá-lo.

Começamos a mergulhar num enredo que começa a tornar-se sombrio, levando-nos a questionar como é que estas duas pessoas vão superar a dor. Felizmente, temos o poder visual do filme que nos permite respirar. Os cenários vastos, horizontes infinitos e sons apaziguadores do mar ali tão perto não nos deixam cair numa espiral de depressão, apesar de o ritmo lento do filme nos incite para isso.

A narrativa ganha um pouco mais de ritmo (mas não muito) quando os mares trazem a Tom e Isabel uma nova esperança. E ali, sozinhos numa ilha, longe de tudo e de todos, reescrevem uma história. Inventam um novo final feliz, com uma criança que nunca lhes irá pertencer. E é aqui que começa o desenvolvimento da personagem interpretada por Michael Fassbender. Um homem que tenta fazer o que é correto, mas que acaba por sucumbir ao imenso amor que sente pela mulher. Uma decisão que vai afectá-lo emocionalmente ao longo da história, talvez não com tanta profundidade ou ferocidade como eu esperava.

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O filme é calmo. Não há reviravoltas ou dramas inesperados e inquietantes. A verdade é que não há grandes surpresas. Quando nos é apresentada Hannah, interpretada por Rachel Weisz, sentimos uma nova agitação no barco, mais mais uma vez, como a narrativa longe de ser complexa, é possível prever os eventos seguintes. O que o filme faz muito bem  é posicionar-nos no lugar de cada uma das personagens e levar-nos a compreendê-las até ao seu âmago. O que é certo ou errado torna-se uma névoa, porque conseguimos entender o que levou cada uma delas a fazer o que fez. Torna-se muito difícil criar juízos de valor.

O final, mais uma vez, é adequado. É justo, mas não nos deixa com o coração nas mãos.
Não é o “dramalhão” que eu esperava, é uma história de amor entre duas pessoas e dos sacrifícios que estão dispostos a fazer por esse amor. É uma lição sobre que tipo de amor é suficiente.

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