Review: La La Land

Por: Helena Rodrigues

Sebastian está na terra dos sonhos na esperança de abrir um clube de jazz que faça renascer um género musical que aparenta estar a morrer, mas enquanto a sua ambição não se realiza, vai arranjando trabalhos temporários que pouco ou nada fazem jus ao seu talento. Mia sai da sua terra natal para seguir uma carreira como actriz de cinema, mas o mais longe que consegue ir é: trabalhar como barista nos estúdios da Warner Bros.

Estes dois aspirantes a artistas vão-se conhecer, vão-se apaixonar e dar início a uma viagem emocional, arrastando-nos com eles, para servirmos de testemunhas das verdades e ilusões do mundo das artes, dos sacrifícios e desistências que espreitam a cada esquina e que servem de barreira numa luta dura para que cada um deles possa atingir aquilo com que sempre sonhou.

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Sentada ao meu lado no cinema, estava uma pessoa que não gosta de musicais, mas que decidiu arriscar ver este filme específico, talvez por todo o “zum zum” crescente em torno do mesmo. Essa mesma pessoa deu por si a chorar na segunda metade de “La La Land”. Porquê?

Para além das cantorias e danças entusiastas, cheias de visuais estimulantes e uma energia cativante que preenchem o filme, o foco do público acaba por se centrar nas personagens de Sebastian e Mia e na sua história de amor. Damien Chazelle cria uma ode ao cinema clássico americano, com referências a musicais do passado, que na sua época cumpriam o seu dever. Fazer as pessoas sonhar. Fazer as pessoas acreditar que tudo é possível. Apesar de termos música e dança à mistura, nunca nos afastamos da trama central, a história destes dois sonhadores. Uma história que não sabemos se irá vencer a cruel batalha entre aquilo que temos no presente e aquilo que queremos no futuro.

As personagens de Sebastian e Mia vão-se transformando ao longo do filme e nós acompanhamo-los nos momentos de dúvida e de desespero e muitos de nós somos capazes de nos rever nos momentos em que, pelo menos uma vez na vida, nos deixámos levar pelo caminho mais fácil e confortável, deixando cair uma cortina indefinida sobre o que estamos a fazer na nossa vida e se é realmente aquilo que queremos para nós.

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Ryan Gosling e Emma Stone podem não ser os melhores dançarinos ou cantores do mundo, mas são sem dúvida alguma, actores de excelência, porque as suas interpretações vão ficar para sempre marcadas não só no grande e pequeno ecrã, mas também nos nossos corações. Tudo neste filme faz sentido, desde a canção original “City of Stars”, aos passos de dança sob as luzes da cidade, ao glorioso “The Fools Who Dream”, direccionado a todos os que têm sonhos e que são encorajados a segui-los, porque é disso que vivemos, de sonhos que queremos tornar reais.

É preciso também ressalvar o padrão “o que estás disposto a fazer pelo teu sonho?” que Chazelle insiste em deixar em impresso nos seus filmes, tanto em “Whiplash” como agora em “La La Land”.

Indepentemente do que acontece ao longo do filme, “La La Land” resulta. É certo que é preciso abraçar o seu género específico, mas para quem gosta de cinema este é sem dúvida um filme a não perder, porque é uma celebração do género clássico. O género que começou tudo. E no entanto, a sua mensagem é bastante actual. Faz sorrir e faz chorar. Causa o caos dentro de nós e ensina-nos algo de novo.

E não é para isso que a magia do cinema serve, afinal?

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